“É impressionante como só se fala em vacina, né?”, reclama Bolsonaro

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, presidente ainda disse que espera atingir, "brevemente", imunidade de rebanho contra Covid-19

atualizado 22/04/2021 21:29

Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (22/4) que “é impressionante como só se fala em vacina”, se referindo à vacinação contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

“É impressionante como só se fala em vacina, né? Mas também, uma compra bilionária, no mundo todo, então é só vacina. Ninguém é contra a vacina. Tirando os países que produzem vacinas, o Brasil é o primeiro no mundo em valores absolutos que mais aplica [doses]”, declarou Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

O presidente disse que espera atingir a imunidade de rebanho “brevemente”, para que o país possa “voltar à normalidade”.

“São críticas o tempo todo. Nós já estamos praticamente batendo a meta de 1 milhão de pessoas vacinadas por dia. Esperamos, brevemente, conseguir a tal imunidade de rebanho para voltarmos à normalidade. Estamos na iminência de ser um exemplo para outros países que não tenham uma fábrica de vacina”, prosseguiu.

Manaus

Durante a transmissão, o presidente ainda comentou a concessão, a sua pessoa, de “título de cidadão do Amazonas” (leia mais abaixo). Bolsonaro disse de que a honraria é sinal de que o trabalho feito pelo governo no estado “foi muito bem feito”.

Em janeiro, o sistema de saúde da capital do Amazonas sofreu com a falta de oxigênio, de leitos de UTI e equipamentos para lidar com o forte aumento no número de internações em razão da Covid-19.

Pacientes chegaram a ser transferidos para outros estados e o governo do estado convocou a ajuda de empresas para fornecer oxigênio e materiais para os hospitais.

A pedido da Procuradoria-Geral da União (PGR), o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a instaurar um inquérito para investigar a conduta do ex-ministro em relação à crise sanitária no Amazonas.

Após a demissão do general do governo, a Corte enviou o inquérito para a primeira instância. As investigações terão continuidade na Procuradoria da República do Distrito Federal, uma vez que, ao ser exonerado do governo, Pazuello perdeu o foro privilegiado.

“Foi me concedido o título de cidadão manauara, foi isso mesmo? Então é sinal de que o nosso trabalho em Manaus, o meu trabalho, o do [Eduardo] Pazuello como ministro da Saúde, foi muito bem feito naquela região. Lamentamos a crise que teve lá, as mortes, uma coisa que chocou a todos nós. Mas infelizmente foi uma coisa que ninguém esperava por aquilo. O governo brasileiro fez a sua parte e agora, na verdade, esse titulo foi concedido pela Assembleia Legislativa do estado do Amazonas. Agradecemos essa honraria”, disse Bolsonaro.

Na terça-feira (20/4), a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou o projeto de lei em homenagem ao presidente. O projeto de lei foi votado em regime de urgência e contou com o apoio de 19 dos 24 parlamentares. Houve um voto contrário, uma abstenção e três ausências.

À coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o deputado Serafim Corrêa (PSB), que foi contrário à proposta, afirmou que Bolsonaro não é amigo do estado e da floresta amazônica, e que não merece qualquer homenagem.

“O título é para alguém que faz algo pelo estado. Bolsonaro só fez coisas contra. Persegue a Zona Franca de Manaus, não comprou vacina, foi negligente quando faltou oxigênio. Não cuida da floresta, coloca o estado só em pauta negativa no mundo inteiro”, disse Corrêa.

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