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Brasil

Tarifaço: Vieira defende Pix e diz que acusação dos EUA é “descabida”

Sistema de pagamento instantâneo é apontado pelos EUA como uma das justificativas para implementar tarifaço de 25% sobre o Brasil

16/07/2026 14:40, atualizado 16/07/2026 15:09
LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Tarifaço: Vieira defende Pix e diz que acusação dos EUA é “descabida”

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, defendeu o Pix, nesta quinta-feira (16/7), após o sistema de pagamento instantâneo ser citado entre os motivos da nova tarifa de 25% sobre produtos importados brasileiros.

“As alegações sobre o Pix são descabidas. Não é sério falar sobre prática desleal em relação ao Pix”, afirmou o chanceler brasileiro.

A declaração foi dada durante declaração à imprensa no Palácio Itamaraty. Mais cedo, o ministro esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de outros auxiliares e técnicos do governo, no Palácio do Planalto para analisar as ​medidas norte-americanas e a resposta ⁠brasileira.

Confira a íntegra do pronunciamento:


No pronunciamento, Vieira ainda criticou o a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que afirmou que o governo Lula não negociou de “boa-fé” com os norte-americanos sobre o tarifaço.

As declarações de Rubio são inaceitáveis e ofensivas ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante. O que incomoda é o Brasil não ter se curvado”, disse o chanceler.

Pix na mira dos EUA

O sistema de pagamento instantâneo brasileiro, criado pelo Banco Central, é usado pelo governo dos Estados Unidos como uma das justificativas para implementar o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

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Na noite dessa quarta-feira (15/7), o governo de Donald Trump confirmou que vai impor a taxação, que passará a valer a partir de 22 de julho. A decisão ocorre após uma investigação do Escritório do Representante Comercial do país (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que acusa o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos.

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Para os Estados Unidos, os provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA são prejudicados pelo Pix por ele ser gratuito.

“O Banco tem atuado como regulador para prejudicar os provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e favorecer seu campeão nacional, o Pix”, disse o USTR em publicação nas redes sociais.

Além do Pix, é citado que o desmatamento ilegal tornaria mais difícil para a indústria madeireira dos EUA competir de forma justa nos mercados globais. O escritório também destaca decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para remoção de conteúdos falsos de redes sociais e a posição do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional.

Após o anúncio, o governo Lula divulgou nota na qual afirma que o episódio ficará marcado na história da relação entre os dois países como “lastimável”. Na manifestação, o Brasil declarou que as alegações, tanto em relação ao Pix quanto à regulação de plataformas digitais, são “descabidas”. O Executivo brasileiro também classificou as acusações sobre desmatamento como “absurdas”. “O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”, defendeu o governo.

O documento que oficializa a nova taxação apresenta uma lista detalhada de isenções. Entre os itens que não serão taxados, destacam-se, por exemplo, café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja, terras-raras e outros.