Suspeito de integrar grupo hacker de Vorcaro passa por audiência de custódia

Victor Lima Sedlmaier foi preso no sábado (16/5) após ser deportado de Dubai. Ele é investigado por ligação com o grupo “Os Meninos”

atualizado

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1 de 1 Banco Master - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Suspeito de integrar o grupo hacker que trabalhava para Daniel Vorcaro, Victor Lima Sedlmaier deve passar por audiência de custódia neste domingo (17/5). O procedimento vai avaliar as condições e decidir sobre a manutenção ou revogação da prisão.

Sedlmaier foi preso no sábado (16/5), no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após ser detido em Dubai em uma ação de cooperação internacional. Ele foi deportado ao Brasil e é apontado pela Polícia Federal como integrante do grupo de hackers “Os Meninos”, que, segundo as investigações, prestava serviços a Vorcaro, dono do Banco Master.

O estudante e desenvolvedor de sistemas era um dos alvos da operação da Polícia Federal deflagrada na última quinta-feira (14/5), que investiga fraudes no Banco Master. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até sábado, Sedlmaier era considerado foragido.

Segundo a PF, Sedlmaier afirmou em depoimento que prestava serviços a David Henrique Alves, identificado pelos investigadores como líder do grupo “Os Meninos”. Alves também foi alvo de mandado de prisão preventiva, mas segue foragido.

À Polícia Federal, o estudante disse que David Henrique Alves atuava em questões relacionadas à “reputação online” de Daniel Vorcaro. Ele relatou ainda que trabalhava para o líder do grupo desde julho de 2024, com conserto de computadores e no desenvolvimento de um software de inteligência artificial.

Sedlmaier afirmou que recebia R$ 2 mil mensais pelos serviços prestados, além de “bônus por serviços eventuais”. Ele também declarou ter conhecimento de que Alves trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, apontado pela PF como o “Sicário” de Vorcaro, e que recebia R$ 35 mil mensais.

Além das atividades relatadas por Sedlmaier, a Polícia Federal afirma que ele também teria atuado como “agente de apoio logístico e na possível ocultação de vestígios” ligados a David Henrique Alves.

Segundo os investigadores, no dia da operação que prendeu o “Sicário”, Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo de Luiz Phillipi Mourão. No carro, foram encontrados computadores e o documento de uma terceira pessoa. A PF afirma que David não soube explicar por que estava no veículo de Mourão.

Na decisão que autorizou a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que a situação foi interpretada como “indicativo de fuga em andamento e possível destruição, remoção ou ocultação de provas digitais”.

De acordo com a PF, no dia seguinte à operação, Sedlmaier foi até a casa de David Henrique Alves com um caminhão de mudança para retirar itens do imóvel. Segundo a corporação, o documento encontrado com David no dia anterior, em nome de Marcelo Souza Gonçalves, continha a foto de Sedlmaier.

“A posse simultânea desses objetos, somada ao ingresso no imóvel de DAVID logo após sua saída apressada e ao retorno com caminhão de mudança, compõe quadro indiciário de que VICTOR não apenas conhecia a rotina do líder do grupo, mas teria atuado para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com potencial relevância probatória, em momento sensível da investigação”, escreveu Mendonça.

“No mesmo ato, VICTOR fez menção a ‘Rodrigo’, que a autoridade policial identificou como RODRIGO PIMENTA FRANCO AVELAR CAMPOS, o que reforça a atuação concertada entre ambos em favor de DAVID e do núcleo ‘Os Meninos'”, acrescentou o ministro.

A decisão também aponta que Victor é sócio de duas drogarias — Drogaria Saúde Vida Ltda. e Nova Farma Drogaria e Cosméticos Ltda. — que, segundo a PF, podem ter sido utilizadas para o recebimento indireto de pagamentos.

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