Sem pagode, Guilherme Boulos ganha apoio de rappers e busca votos na Cohab

Pouco popular na periferia de São paulo, candidato do PSol deixa MPB de lado, abraça rappers e ataca Celso Russomanno

atualizado 17/10/2020 22:15

Evento na Cohab com o candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme BoulosFoto: Débora Sögur-Hous/ Especial para o Metrópoles

São Paulo – Guilherme Boulos (PSol) chegou causando aglomeração e tirando fotos com apoiadores na Praça Brasil, coração da Cohab 2, como é conhecido o Conjunto Habitacional José Bonifácio, na zona leste. “Pessoal, vamos espalhando até lá em cima, vamos que a foto vai ficar bonita”, disse um assessor ao microfone.

O cantor de pagode Salgadinho fez o convite nas redes sociais para o evento, mas quem marcou presença foram rappers e funkeiros. O evento evitou apresentações, mesmo que um ou outro verso escapasse. Rincon Sapiência circulou pela praça; Edi Rock, integrante dos Racionais MC’s, participou por transmissão de vídeo; os rappers Ferréz e Função, do grupo Di Função, assumiram o microfone.

“Estou cansado de companheiros do rap silenciarem sobre o governo com medo de não conseguirem se apresentar na Virada Cultural,” disse o líder do Di Função.

O movimento funk também pediu justiça para os nove jovens mortos em 2019 no Baile da 17, em Paraisópolis, e também lembrou do caso de uma jovem que foi baleada pela polícia militar no olho no Baile do Aurora, em Itaquera.

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Apenas no fim do evento, Guilherme Boulos discursou, prometendo regulamentar o Sistema Municipal de Cultura, criando um conselho, um plano e um fundo permanentes na área. O candidato também atacou Celso Russomanno, líder nas pesquisas de intenções de votos na periferia.

“O Russomanno é o candidato do Bolsonaro. E nós não vamos deixar que o Bolsonaro faça de São Paulo mais um puxadinho para a família dele”, afirmou Guilherme Boulos.

Nos últimos dias, Guilherme Boulos recebeu apoio da elite artística brasileira, incluindo o cantor Chico Buarque (que não vota em São Paulo) e da atriz Sônia Braga (que tem cidadania americana). Em São Paulo, tem a torcida de mais de 40 companhias teatrais, uma delas o Teatro Oficina.

Os apoios, porém, não surtiram efeito imediato entre as camadas mais pobres da população. Segundo pesquisa Ibope, divulgada em 15 de outubro, o candidato de esquerda vai mal justamente entre aqueles que ganham até um salário mínimo (3% das intenções de voto) e que cursaram apenas o ensino fundamental (1%). No entanto o psolista cresceu na preferência entre jovens até 24 anos (16%) e jovens adultos até 34 anos (15%).

Com forte presença da militância, o evento atraiu alguns moradores da região. O vendedor ambulante de doces Marcos Antônio Tenório, 49, foi um dos moradores da Cohab que aproveitou o movimento para ganhar um dinheiro extra. Após perder seu carrinho na pandemia, se diz decepcionado com a política atual.

“Bolsonaro decepcionou muito, então acho que vou preferir que continue o [Bruno] Covas, que fez o que tinha que fazer e é um candidato mais discreto”. Sem conhecer Boulos, Tenório desejou sucesso ao psolista.

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