Veja quem são os mortos em tumulto de baile funk em Paraisópolis

Operação da polícia na comunidade, batizada de Pancadão, causou cenas de pânico no bairro e a morte de nove pessoas

atualizado 02/12/2019 9:18

As famílias das vítimas começaram a reconhecer os corpos das nove pessoas que morreram em uma confusão durante baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. A tragédia ocorreu na madrugada desse domingo (01/12/2019), durante ação da Polícia Militar.

A primeira vítima a ser reconhecida foi identificada como Marcos Paulo Oliveira dos Santos. O adolescente tinha 16 anos, era estudante e morava no Jaraguá, Zona Norte de São Paulo.

De acordo com a família, foi a primeira vez que Marcos foi ao baile funk de Paraisópolis. Os parentes não sabiam que ele tinha ido. O rapaz havia dito para a avó que ia comer pizza com os amigos.

Marcos morava com os pais, um irmão, a avó e dois primos. A família soube da morte por um vizinho, segundo informações divulgadas pelo G1 e pelo O Globo.

 

Segundo o Corpo de Bombeiros, os mortos são:
    • Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos
    • Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos
    • Eduardo Silva, 21 anos
    • Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos
    • Mateus dos Santos Costa, 23 anos
    • Homem não identificado, de aproximadamente 28 anos
    • Gustavo Cruz Xavier, 14 anos
    • Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos
    • Luara Victoria de Oliveira, 18 anos

De acordo com a corporação, uma mulher sofreu lesão na perna e permanece internada. Outra vítima, ferida no rosto, recebeu alta.

A família de Denys Henrique Quirino da Silva, também de 16 anos, não escondia a revolta com a ação da polícia. Ele costumava frequentar bailes funk, mas era a primeira vez que estava no de Paraisópolis, para onde foi depois de deixar o trabalho de lavador de estofados e sofás. O irmão dele, Danylo, foi ao IML para ajudar na identificação e liberação do corpo.

O adolescente havia feito um post em uma rede social afirmando que estava no baile. “Hoje eu tô inspirado, vou mandar o magrão de esquina a esquina e dar um tapa na cabeça da sua vó, não quero saber de nada, meninas hj o pai vai tá online, vou surfar mais que o Medina.”

A mãe do adolescente, Maria Cristina Quirino Portugal, afirma que não tem mais certeza do que ocorreu com o filho. Ela achava que o adolescente tinha sido pisoteado, mas depois, considerou que o que ocorreu foi uma “chacina”.

A confusão
Paraisópolis é a segunda maior comunidade da cidade, com 100 mil habitantes. De acordo com a PM, policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam a Operação Pancadão, quando foram alvos de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

No entanto, a mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local, e que foi agredida com uma garrafa, disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile.

Investigação
Moradores da favela de Paraisópolis saíram às ruas na noite de domingo em protesto contra a polícia militar que atuou na operação.

Em vídeo divulgado pelo presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo, Dimitri Sales, os moradores atribuem ao governador João Doria a responsabilidade pelos crimes.

A Polícia Civil e a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo informaram que vão apurar as circunstâncias da ação da Polícia Militar durante um baile funk na comunidade. O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, disse ao Estado que entrou em contato com a Corregedor da PM e pediu que a apuração seja conduzida por esse órgão.

Em uma rede social, o governador João Doria (PSDB) lamentou o ocorrido e falou que o caso será investigado. Foi uma ação desastrosa da Polícia Militar porque gerou tumulto e mortes na comunidade de Paraisópolis, com a repressão ao baile funk.