MC comenta mortes em Paraisópolis: “Poderia ser um familiar seu”

Ele compôs uma música em homenagem às vítimas daquela noite, pois estava lá quando a ação da polícia aconteceu

atualizado 13/12/2019 13:13

Reprodução do Instagram

No programa Conversa com Bial, dessa quinta-feira (12/12/2019), o apresentador recebeu MC Robs e DJ Rennan da Penha para discutir o funk no Brasil e a tragédia de Paraisópolis. O MC estava presente no baile funk da DZ7, na madrugada do dia 01 de dezembro, quando nove pessoas morreram durante uma ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

O MC compôs uma música em homenagem às vítimas daquela noite, descrevendo-a como um desabafo. Ele conta que chegou por volta das duas da manhã no local, e uma hora depois a polícia fechou a rua. “Fecharam tudo, tacaram bomba, garrafa, [tiveram] agressões, muita gente caída, desmaiada gritando socorro”, contou o funkeiro. O baile já acontece há nove anos na Zona Sul de São Paulo, e, segundo Robs, o público pode chegar a 5 ou 6 mil pessoas.

Ele também lembra que naquela noite o clima estava estranho, pois havia mais policiais que o normal. “Em primeira instância, eu pensei que era só questão de proteção”, disse Robs. “Pisoteamento aconteceu também, mas as imagens falam por si só tudo que rolou”, completou. Ele conta que se escondeu dentro de um pequeno espaço no fundo de um estacionamento, onde ficou por volta de 40 minutos ouvindo gritos de socorro, barulhos de tiro e bombas de efeito moral. “Se eu saísse, eu estaria com medo de morrer”, desabafou.

Rennan adicionou que estas ações poderiam ser evitadas com ações preventivas do Estado. “O Estado devia entrar e dar suporte porque a nossa música está ganhando locais que nunca achei que ia ganhar”, contou o DJ. Para o GShow, o Tenente-Coronel reformado Adilson Paes de Souza, o baile não é uma questão para a secretaria de Segurança Pública: “Educação, condições sociais adequadas, lazer e cultura. Depois a gente pensa na polícia”, disse.

Últimas notícias