Varíola dos macacos: com 813 casos, Brasil ocupa 7ª posição no mundo

Doença foi declarada pela OMS como emergência internacional de saúde. Dados apontam avanço exponencial de contaminações no país

atualizado 26/07/2022 15:55

imagem de tubos de ensaio sinalizando resultado positivo para varíola dos macacosVinícius Schmidt/Metrópoles

O Brasil é o sétimo país com mais contaminações por varíola dos macacos no mundo, de acordo com entidades internacionais. Desde o primeiro caso confirmado da doença em território brasileiro, no mês de junho, foram contabilizados 813 diagnósticos, conforme o boletim mais recente do Ministério da Saúde, divulgado na tarde dessa segunda-feira (25/7).

O índice de contaminações registrou um aumento de 16,8% desde a última sexta-feira (22), quando foram contabilizados 696 casos. O avanço exponencial do surto em território brasileiro reflete o crescimento ao redor do mundo, movimento que coloca órgãos de saúde globais em estado de alerta.

A varíola dos macacos foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma emergência de saúde pública de interesse internacional no último sábado (23/7) e atinge mais de 75 países.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os EUA contabilizam o maior número de contaminações pela doença, com 3.846 casos. Espanha (3.125) e Alemanha (2.152) completam a lista das três nações mais afetadas.

Em quarto lugar, o Reino Unido tem 2.208 casos, seguido pela França, com 1.587 e Holanda, com 818 diagnósticos confirmados.

 

O levantamento norte-americano ainda não contabiliza os dados mais recentes do Ministério da Saúde, contudo, foi atualizado pela reportagem.

No Brasil

A maior parte dos diagnósticos em território brasileiro foi registrado em São Paulo, com 595 confirmações, número que dobrou nas últimas duas semanas. Em segundo lugar, está o Rio de Janeiro com 109 resultados positivos, seguido por Minas Gerais (42), e Distrito Federal (13).

Veja o mapa de contaminações por estado:

Preocupação global

Na manhã desta terça-feira (26/7), Rosamund Lewis, líder técnica da OMS no combate à doença avaliou que a situação do Brasil é “muito preocupante”.

“Certamente é muito preocupante para países como o Brasil, que é um país grande, e agora também vem relatando um número significativo de casos”, disse a especialista.

Lewis também alertou para a possibilidade de estar havendo uma subnotificação de casos por falta de testes e pediu ainda que as autoridades ajam de acordo com a emergência de saúde pública de interesse internacional, decretada pela OMS no último sábado.

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A classificação corresponde ao nível de alerta máximo da entidade e, na prática, significa que os países devem agir de forma cooperada para evitar a disseminação da doença, o que inclui ações de vigilância epidemiológica, investimento em pesquisas e treinamento de pessoal e colaboração para diagnósticos, tratamentos e aplicação de vacinas.

“Temos um surto que se espalhou rapidamente pelo mundo, por meio de novos modos de transmissão sobre os quais entendemos muito pouco”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacando que, se os esforços dos países forem alinhados será possível deter a transmissão do vírus.

Subir o nível de alerta também resulta em reforçar a atenção das equipes de saúde e da população para a infecção, o que aumenta a compreensão sobre sintomas e transmissão e evita a subnotificação de casos.

O atual surto de varíola dos macacos surgiu em maio e, até aqui, já foram registrados 16 mil casos em 75 países. A doença não é uma pandemia como a Covid, mas chama atenção a maneira rápida pela qual vem se espelhando para os países, especialmente entre o grupo de homens que fazem sexo com homens. A OMS estima que 98% dos casos estejam neste grupo.

Transmissão e sintomas

A transmissão do vírus ocorre, principalmente, por meio do contato com secreções respiratórias, lesões de pele das pessoas infectadas ou objetos que tenham sido usados pelos pacientes. Até aqui, não há confirmação de que ocorra transmissão via sexual, mas a hipótese está sendo levantada pelos cientistas.

O período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias. Os sintomas costumam aparecer 10 ou 14 dias após o momento da infecção. Os primeiros sinais são febre, mal-estar e dor. Cerca de três dias depois, os pacientes passam a apresentar bolhas pelo corpo – parecidas com as da catapora. A doença termina em um período entre três e quatro semanas.

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