Rio: secretaria encontra remédios vencidos em hospital que nunca abriu

Procedimento foi instaurado para apurar responsabilidades pelo material, que seria usado em pacientes presos no Complexo de Gericinó

atualizado

metropoles.com

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Rio de Janeiro – A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária localizou, durante o desmonte da estrutura do Hospital de Campanha que funcionaria no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Gericinó, na zona oeste, diversos medicamentos para o tratamento de pacientes com Covid-19. A carga, no entanto, tem itens com validade vencida.

Um ofício com o inventário dos remédios foi encaminhado à Secretaria Estadual de Saúde e um procedimento foi aberto para apurar responsabilidades.

A medicação de uso hospitalar seria usada em pacientes privados de liberdade que ocupariam os 60 leitos de alta complexidade na unidade que seria erguida no Instituto Penal Santo Expedito. A unidade, porém, nunca foi inaugurada.

No documento, revelado pelo UOL, consta uma lista com 12 remédios, entre analgésicos, antibióticos e itens de uso hospitalar diário, com as dosagens e as validades de cada um deles.

Ofício traz lista de 12 medicamentos, alguns deles com validade vencida

“Comunico a V.Exa. que no processo de desmontagem da estrutura do Hospital de Campanha projetado, ainda em março de 2020, para ser construído no Instituto Penal Santo Expedito, cuja gestão deveria ter sido operada por Organização Social que além de não ter finalizado a construção, jamais prestou serviços ao sistema prisional do Estado do Rio de Janeiro, foi possível identificar a remessa de medicamento”, informa secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro, no documento.

O Hospital de Campanha do Complexo Penitenciário foi concebido quando os secretários das pastas envolvidas eram Alexandre Azevedo de Jesus (Seap) e Edmar Santos (Saúde).

Processado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) e pelo Ministério Público Federal (MPF) por desvios na pandemia, Edmar se tornou delator do escândalo de corrupção que levou ao afastamento do governador Wilson Witzel. Atualmente, as pastas são comandadas por Montenegro e Carlos Alberto Chaves.

“Dou ciência do acervo de medicamentos acima indicado, que, desde logo, cumprindo com o dever de responsabilidade social, fica à disposição de V.Exa. para imediato emprego nas unidades de saúde desta Secretaria de Estado”, finaliza o secretário no ofício, colocando a medicação à disposição para que seja distribuída pelas unidades de saúde de acordo com a necessidade.

Irregularidades

O desmonte do Hospital de Campanha é consequência dos problemas e irregularidades nas contratações feitas durante a pandemia, seja para compra de medicamentos, insumos e equipamentos, ou nos termos de contratação de organizações sociais para gestão das unidades planejadas pelo Estado.

Dos sete hospitais, apenas dois foram abertos, além das duas unidades equipadas pela rede privada. Em 2020, a TV Globo mostrou inconsistências nos processos do hospital, que nunca funcionou.

O Metrópoles questionou a SES sobre a medicação encontrada, mas ainda não teve retorno das pastas. Leia a íntegra da nota enviada pela Seap:

“A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária esclarece que o material foi encontrado na estrutura de um Hospital de Campanha que não chegou a ser montado em uma unidade próxima ao Complexo de Gericinó.

O Secretário Raphael Montenegro determinou o desmonte do esqueleto do Hospital, onde foi encontrado o material que seria de responsabilidade da OS escolhida pela SES para administrar o local.

Por este motivo, foi feito ofício disponibilizando o material à Secretaria de Estado de Saúde, além da determinação, imediata, para abertura de procedimento de apuração de responsabilidades”.

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