Pacheco encontra Rosa Weber para tentar destravar orçamento secreto
Presidente do Congresso quer mostrar à relatora da ação que resultou na suspensão das emendas as ações adotadas pelo Parlamento

No mesmo dia em que assinou ato conjunto com a Câmara Federal para descumprir decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dar ampla publicidade às emendas de relator em 2020 e 2021, o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), frisou a necessidade de se destravar o orçamento secreto. “É importante que [o orçamento secreto] seja destravado. Essa é nossa intenção”, disse nesta quinta-feira (25/11).
Rodrigo Pacheco tem encontro marcado com a ministra Rosa Weber, do STF, na noite desta quinta-feira, para tratar do tema. Ele pretende falar sobre a decisão da Corte que suspendeu o pagamento das emendas de relator-geral (RP-9), conhecidas como “orçamento secreto“.
Rosa Weber é a relatora da ação que resultou na interrupção do orçamento secreto em razão da pouca transparência na destinação dos recursos.
“Vou apresentar o trabalho que foi realizado e estabelecer as diretrizes do por vir e, sobretudo, do que já foi feito em relação aos orçamentos de 2020 e 2021. O objetivo é mostrar que o Congresso Nacional está atento e irá cumprir a decisão dentro da proposta de exequibilidade”, destacou o parlamentar.
No texto do ato conjunto, que será publicado nesta sexta-feira (26/11), o Congresso deixa claro que não abrirá as informações retroativas sobre quais parlamentares fizeram indicações de emendas para envio de recursos às suas bases.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA ideia do Congresso é que as informações só passem a ser públicas daqui para frente. No ato conjunto, os parlamentares argumentam que há “impossibilidade fática de se estabelecer retroativamente um procedimento para registro das demandas recebidas pelo relator-geral com sugestão de alocação de recursos”, o que “torna a impossível o registro dos nomes”.
Os ministros do STF aprovaram por maioria a suspensão as emendas de relator-geral (RP 9) e determinaram que os nomes dos parlamentares deixassem de ser ocultos. Só em 2021, as emendas RP-9 previam destinação de R$ 16,8 bilhões, sem transparência sobre quem pediu o quê para quais lugares, e em quais circunstâncias.
Pacheco, no entanto, afirmou que o encontro com Rosa Weber objetiva sinalizar boa vontade do Parlamento para superar a falta de transparência na destinação das emendas. “Propomos uma alteração legislativa para se dar mais transparência, para que se possa dar a origem e a base das emendas indicadas por relator. É uma adequação normativa para atender a essência dessa decisão do STF, que é a baixa transparência do orçamento”, disse.



