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Distrito Federal

Rodoviários do DF rejeitam proposta das empresas e deflagram greve na 2ª.

Em assembleia, categoria votou contra proposta de reajuste salarial de 6% e manteve a greve; paralisação começa à 0h de segunda-feira (28/9)

27/09/2026 11:18, atualizado 27/09/2026 11:54
Fernanda Cavalcante/Metrópoles
Rodoviários aprovam greve em assembleia

Os rodoviários do Distrito Federal aprovaram, na manhã deste domingo (27/9), uma greve geral a partir da 0h desta segunda-feira (28/9). A paralisação, que havia sido anunciada em 20 de setembro, foi mantida durante assembleia da categoria no estacionamento do Conic, no Setor de Diversões Sul. Não há previsão para o fim do movimento.

Os profissionais rejeitaram a proposta das empresas de ônibus apresentada no sábado (26/9), que previa reajuste salarial de 6%. A votação contrária foi unânime. A categoria reivindicava 8% nos salários, 10% nos benefícios de alimentação e 12% no plano de saúde, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF.

Segundo José Cabral Filho, representante da categoria, a decisão ocorreu após os patronais não oferecerem um acordo aceito pelos trabalhadores. “Infelizmente, as empresas não apresentaram propostas para encerrar [a greve]”, afirmou o líder sindical.

As concessionárias do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal submeteram uma proposta final no sábado (26/9). O pacote previa 6% de reajuste salarial, 7% no tíquete de refeição e alimentação e na cesta básica, e 11,88% no auxílio-saúde e plano odontológico. Já o seguro de vida em grupo seria duplicado, de cerca de R$ 24 mil para R$ 48 mil.

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A manutenção dos postos de trabalho de cobrador também estaria garantida durante a vigência do acordo. Os retroativos a 1º de agosto seriam pagos em parcela única na folha de outubro.

As empresas informam ainda que os reajustes representariam um ganho real de 1,82% sobre a inflação de 4,11% no período.

Apesar disso, o sindicato não aceitou a proposta apresentada pelas empresas. A categoria já havia deliberado pela greve, e o movimento foi comunicado formalmente às concessionárias em 23 de setembro.

Concessionárias repudiam greve dos rodoviários

Em nota, as concessionárias do transporte público coletivo do Distrito Federal repudiaram a greve. Segundo as empresas, a paralisação foi decidida mesmo diante de uma proposta com reajustes acima da inflação em todos os itens.

“Quem mais perde com a paralisação é a população. São milhares de trabalhadores, estudantes, pacientes e idosos que dependem do ônibus todos os dias para chegar ao emprego, à escola, ao hospital e aos serviços públicos. Transformar esses usuários em instrumento de pressão penaliza justamente quem não tem outra forma de se deslocar”, diz a nota.

De acordo com as empresas, a oferta segue o histórico de valorização da categoria. As concessionárias destacaram que estão em negociação há mais de dez rodadas.

“Desde o início do contrato de concessão, o salário do [motorista] subiu 151%, passando de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60. No mesmo período, a inflação medida pelo INPC foi de 97%. O salário cresceu, portanto, mais de 50 pontos percentuais acima da inflação. Com a proposta atual, essa diferença passaria de 60 pontos”, completou.

As concessionárias informaram que continuam abertas ao diálogo e cobram do sindicato o cumprimento da Lei nº 7.783/1989, que determina que, em serviços essenciais como o transporte coletivo, o atendimento às necessidades inadiáveis da população seja garantido mesmo durante a greve.