Médicos defensores da cloroquina terão espaço na CPI da Covid nesta 6ª

Comissão realizará audiência pública e analisará requerimentos de convocação e quebra de sigilo de empresas que administram hospitais no Rio

atualizado 17/06/2021 23:00

CPI da CovidEdilson Rodrigues/Agência Senado

A CPI da Covid realiza, nesta sexta-feira (18/6), audiência pública com os médicos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves, defensores do “tratamento precoce” com cloroquina e ivermectina –medicamentos sem comprovação de eficácia contra a doença.

Zimerman fez parte da comitiva exclusiva de defensores do “tratamento precoce” que foi a Manaus (AM), em janeiro deste ano, para lançar o TrateCov, em meio à crise de abastecimento de oxigênio hospitalar na capital amazonense que culminou em um caos sanitário.

Ele, assim como Alves, assinou uma nota técnica do Ministério Público Federal de Goiás recomendando cloroquina e ivermectina, em fevereiro deste ano. Alves também é coautor da nota informativa do Ministério da Saúde com orientações para o “tratamento precoce” da Covid-19, em agosto de 2020.

Ambos são assessores da Secretaria de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos (OEA), comandada por Arthur Weintraub, suposto articulador do “ministério paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia da Covid-19.

0

Os senadores bolsonaristas Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Marcos Rogério (DEM-RO) são os autores do convite de Zimerman. Jorginho Mello (PL-SC), Ciro Nogueira (PP-PI) e Heinze convidaram Alves.

A presença dos médicos é importante para reforçar o discurso governista de defesa ao “tratamento precoce”. A audiência, todavia, tende a ser esvaziada pelo G7, grupo formado por senadores independentes e de oposição.

Convocações e sigilos

Os senadores também vão analisar requerimentos de convocação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do secretário de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, além do depoimento reservado do ex-governador do Rio Wilson Witzel.

Com habeas corpus, Witzel prestou depoimento na última quarta-feira (16/6), mas pediu para encerrar antes do fim, após sofrer xingamentos de governistas.

Também será avaliada a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático das organizações sociais que administram hospitais do estado fluminense: Viva Rio, Instituto dos Lagos Rio, Associação Mahatma Gandhi, Associação Filantrópica Nova Esperança e o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas).

De testemunhas a investigados

Há também a expectativa de o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), divulgar uma lista com nomes de autoridades que passarão da condição de testemunhas a investigadas pela comissão.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, os ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello e das Relações Exteriores Ernesto Araújo, a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro e o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten devem ser incluídos nesse rol.

Últimas notícias