Filho de senador flagrado com dinheiro nas nádegas deve R$ 1 mi à União

Empresário, Pedro Arthur Rodrigues (DEM-RR) é o primeiro suplente do pai, que pediu licença do Senado por 120 dias

atualizado 22/10/2020 14:41

Divulgação/Facebook/Chico Rodrigues

Suplente de Chico Rodrigues (DEM-RR) no Senado Federal, o empresário Pedro Arthur Rodrigues (DEM-RR), que é filho do senador flagrado com dinheiro nas nádegas, acumula dívida de mais de R$ 1 milhão, conforme Lista de Devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Segundo a relação, Pedro Arthur soma quatro débitos: de R$ 470.783,07; R$ 367.258,86; R$ 190.364,96, e de R$ 111.019,75 – totalizando dívida de R$ 1.139.426,64.

Há, ainda, uma quinta dívida superior a R$ 497.587,80, envolvendo a empresa San Sebastian Construções Transportes Terraplanagem e Agropecuária, da qual o suplente é sócio. A sociedade é composta pelo empresário, o senador Chico Rodrigues e outro filho do parlamentar.

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Pedro Arthur Rodrigues aguarda o prazo regimental de 30 dias para assumir o cargo que era do pai, licenciado da Casa por 120 dias.

Nos bastidores, há movimentação para que ele não assuma a fim de evitar desgastes para a Casa. A Polícia Federal descobriu que o senador licenciado permitiu que duas assessoras dele trabalhassem na empresa do filho, o que aumenta a pressão. Se Pedro não assumir, quem fica com a vaga é o segundo suplente, Onésimo Cruz (PSDB-RR).

Até a noite de quarta-feira (21/10), presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não tinha assinado a convocação do suplente. A ideia vigente na Casa é deixar o tempo passar.

Pedro Rodrigues declarou ao Tribunal Superior Eleitoral em 2018 que possui bens no valor de R$ 70 mil, que seria de duas participações societárias – na Alto Astral Produções e San Sebastian Construções, no valor de R$ 25 mil, cada; e um sítio, R$ 20 mil.

Procurada, a assessoria do senador licenciado disse que, a princípio, Pedro vai ficar com o mandato, mas não soube dizer quando. Contatado, o suplente disse que não queria falar e desligou o telefone.

Dinheiro nas nádegas

Chico Rodrigues é investigado num esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares e fraude em licitação ligada à Secretaria de Saúde de Roraima no âmbito do combate à Covid-19. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os agentes da Polícia Federal (PF) encontraram cerca de R$ 30 mil escondidos nas nádegas de Rodrigues.

Após pressão de aliados, o senador pediu licença do mandato por 121 dias na última terça-feira (19/10) e disse que, “em um ato impulsivo” teve “a infelicidade de tomar a decisão mais irracional” de toda a sua vida – que foi esconder o dinheiro entre as nádegas. Ele, todavia, reafirmou que o montante era para pagar funcionário.

Antes, Rodrigues havia deixado a vice-liderança do governo no Senado, a comissão externa do Congresso Nacional que fiscaliza os gastos no combate à Covid-19 e o Conselho de Ética do Senado, que recebeu representação contra ele por quebra de decoro parlamentar.

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