Anúncio do próximo procurador-geral deve atrasar, indica Rêgo Barros

Havia a expectativa de que o nome fosse indicado pelo presidente Jair Bolsonaro até esta terça-feira (20/08/2019)

atualizado 19/08/2019 19:52

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O mandato da atual chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Raquel Dodge, acaba no próximo dia 17 de setembro e cresce a possibilidade de que o novo ocupante do cargo não esteja garantido até lá, pois, após a indicação pelo presidente da República, o nome ainda precisará ser sabatinado no Senado. O presidente Jair Bolsonaro tinha planos de bater o martelo um mês antes da saída de Dodge, mas o porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, indicou na noite desta segunda-feira (19/08/2019) que a decisão ainda não está tomada.

“O presidente me disse que, em face do número elevado de pessoas qualificadas pleiteando o cargo, ele tem tido dificuldade em fazer a escolha”, disse Rêgo Barros.

Tido como favorito de Bolsonaro nos últimos dias, o subprocurador Antônio Carlos Simões Soares, que já atuou no Rio de Janeiro e teria a simpatia do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, sofreu ataques durante esta segunda-feira (19/08/2019). Foi revelado que ele chegou a ser condenado em 2013 pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal considerou ilegal a aposentadoria do servidor, porque ele teria incluído na conta nove anos nos quais teria atuado como advogado e 1 ano e 11 meses nos quais foi estagiário. Ele teve a aposentadoria suspensa e voltou a trabalhar.

O jornal Folha de S.Paulo e o site O Antagonista também revelaram que Soares foi denunciado pelo Ministério Público em 1995 por falsificar a assinatura de um advogado para dar andamento a um ato processual. O processo, entretanto, prescreveu sem ser julgado.

À revista Veja, o subprocurador reclamou. “É uma vergonha, uma coisa imunda o que estão fazendo comigo. Quando querem perseguir, tentam construir factoides. Vou rebater todas as acusações com provas”, disse.

Na conversa com a imprensa em que falou da dificuldade de Bolsonaro em chegar a um nome, o porta-voz foi questionado se a indicação de Antônio Carlos Simões Soares teria mesmo vindo de Flávio Bolsonaro. Rêgo Barros não negou nem confirmou a informação, limitando-se a dizer que as indicações chegam de várias fontes no entorno do presidente.

Também estão na disputa pelo cargo os três nomes mais citados em votação interna da categoria: o subprocurador Mário Bonsaglia, a subprocuradora Luiza Frischeisen e o procurador regional Blal Dalloul. Bolsonaro, porém, sempre se recusou a firmar o compromisso de escolher alguém dessa lista, apesar de ter se reunido com Bonsaglia.

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