Operação Spoofing: Duvivier sugeriu figurões da Globo ao hacker

Comediante manteve conversas com acusado de vazar dados de autoridades e perguntou a ele sobre nomes da Rede Globo

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atualizado 21/12/2019 15:25

O relatório final da Operação Spoofing, que investiga vazamentos de dados dos celulares de autoridades, afirma que os policiais federais encontraram “uma série de diálogos” entre Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, apontado como chefe do esquema, e o ator e comediante Gregório Duvivier.

A PF narra que as mensagens mostram Duvivier perguntando ao hacker se ele havia “pegado alguém da Globo” nas suas interceptações.

Walter responde que sim e que chegou, por exemplo, às conversas do apresentador do Jornal Nacional, William Bonner – ele ressalva, contudo, que não havia mensagens no aplicativo. Segundo ele, Bonner e “muita gente” tinham o costume de apagar os registros.

Gregório teria, então, citado os nomes de Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo, e de Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da emissora. Segundo o comediante, o vazamento dessas conversas “poderia ser bem forte”.

Em seguida, Duvivier teria citado como possíveis alvos também o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o juiz federal responsável pela Lava Jato no Rio, Marcelo Bretas.

O relatório pontua, contudo, que não encontrou qualquer indício de que Kamel , Schroder e Witzel tenham tido dados vazados. Ao contrário de Bretas e Bonner, que foram, de fato, alvos.

Duvivier foi ouvido pelos policiais e, ainda que não tenha negado ter mantido diálogos com Walter, afirmou que em “nenhum momento” pediu que o hacker invadisse qualquer celular. As perguntas teriam sido motivadas apenas por curiosidade, defendeu, acrescentando não ter interesse em obter o conteúdo das mensagens.

O comediante também apresentou um pen-drive com as mensagens que trocou com Walter, contendo uma série de registros que haviam sido apagados por “Vermelho” no próprio celular.

Relatório
A PF indiciou todas as seis pessoas que foram presas na operação por formação de quadrilha: Walter Delgatti Neto, Gustavo Santos, Danilo Marques, Suelen Priscila de Oliveira, Thiago Eliezer Martins e Luiz Henrique Molição. Esse último fechou acordo de delação premiada com o MP, mas não foi poupado do indiciamento.

Delgatti Neto, Martins, Santos e Marques também foram indiciados por invasão de dispositivos telemáticos e interceptações.