Em 9 horas de sessão morna, Moro nega “conluio” e dribla ataques

O ministro da Justiça participou de audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para explicar vazamento de diálogos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/06/2019 19:58

Em sessão que durou cerca de nove horas, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o ministro Sergio Moro negou reconhecer a autenticidade das conversas vazadas com procuradores da Lava Jato, mas sustentou que, mesmo que algumas tenham ocorrido da forma com que foram publicadas pelo site The Intercept Brasil, não cometeu nenhuma irregularidade.

A audiência foi praticamente um anticlímax para a oposição, que não conseguiu desestabilizar a aparente calma do ministro, que não se desviou em nenhum momento do roteiro traçado desde esta segunda-feira (17/06/2019), quando passou a questionar formalmente a autenticidade dos diálogos vazados. O contra-ataque parece ter funcionado. A sessão ficou morna durante quase todo o tempo, nunca alcançando um ponto de fervura que pudesse ser explorado.

Já no meio da tarde, quando ainda faltavam perguntas de quatro senadores ao ministro, Moro sustentou que o declínio da economia não teve nenhuma relação com a Lava Jato: “Quem é responsável pelo assassinato, o policial que encontra o cadáver ou o assassino?”. E arrematou: “Se me arrependo do que fiz? Não. Mudamos um padrão de impunidade da grande corrupção que tínhamos no país”. Moro recebeu perguntas de 40 senadores, e, na maior parte do tempo, mostrou-se calmo.

Os parlamentares presentes na sessão perguntaram se Moro pretende deixar o cargo, como aconselhou a Ordem dos Advogados do Brasil. Para o ministro, “o impacto inicial decorrente do sensacionalismo da divulgação do The Intercept geraram uma repercussão indevida, mas os fatos estão sendo colocados no lugar”. E prosseguiu:  “Se tiver alguma irregularidade da minha parte eu saio, mas não houve”.

“Eu tive a impressão de que o site queria uma busca e apreensão no local para posar de mártir da imprensa frente ao malvado governo do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Sergio Moro”, ironizou o ministro.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, disse em sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado esperar pela identificação e punição dos responsáveis por divulgar mensagens privadas. Para o chefe da pasta, é preciso “avançar nessa área de proteção cibernética”.

“Há fatos que incluem clonagem de aparelho celular do ministro da Justiça e tentativa de obtenção do conteúdo, embora não bem-sucedido, além do ataque aos procuradores”, comentou. Moro lembrou que já há uma investigação da Polícia Federal em curso, tratada como prioridade. “Claro que não é uma coisa singela dado o grau de profissionalismo desse grupo criminoso, mas tenho expectativa de que esses fatos sejam devidamente aclarados, essas pessoas identificadas e punidas”, completou.

Assista à sessão da CCJ no Senado com a participação de Sergio Moro:

 

Sergio Moro participou desde às 9h desta quarta-feira (19/06/2019) de uma sessão na CCJ do Senado para explicar o vazamento de mensagens privadas trocadas entre ele e os procuradores da Operação Lava Jato. O site de notícias The Intercept Brasil tem divulgado nas últimas duas semanas reportagens que mostram uma suposta colaboração entre o ex-juiz e o coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol.

Sobre o escândalo que envolve o nome do ministro, ele minimizou a situação. “A montanha pariu um rato, pois o grande escândalo não existe, é normal”, afirmou.

Moro apontou que é alvo de ataque de um grupo criminoso “com o intuito de afetar condenações pretéritas e, eventualmente, minar as instituições de uma maneira geral”. Para ele, a corrupção, veemente combatida pela Lava Jato, mina a produtividade econômica.

“Ela [corrupção] impõe custos a contratos públicos que acabam minando, drenando os recursos existentes para a realização de uma obra pública, por exemplo. Ou acaba fazendo com que agentes públicos, na decisão quanto à alocação desses recursos, tomem caminhos que não são os mais eficientes, mas com interesses privados”, criticou.

Convite
Presidente da CCJ, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) já informou que a exposição de Sergio Moro terá duração de 30 minutos. Em seguida, os senadores inscritos, intercalados por ordem de partido, terão cinco minutos para réplica. O chefe da pasta da Justiça terá o mesmo tempo para resposta. Após isso, os parlamentares terão prazo máximo de dois minutos para réplica e tréplica.

“Moro não está aqui nem na função de testemunha, muito menos de investigado. Ele que se colocou à disposição e se prontificou ao Senado Federal”, afirmou a presidente da CCJ, Simone Tebet.

Ao ser questionado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) sobre o vazamento de conversa entre os presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, Moro explicou que são duas situações diferentes.

“Nada ali foi ocultado, liberado a conta gotas. Aquele material podia ter sua autenticidade verificada. Aqui, é um ataque de um grupo organizado, hacker. Um material que está sendo divulgado de maneira opaca e sem possibilidade de verificação”, finalizou.

STF
Ao ter direito à palavra, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse que a sessão se tratava de uma preliminar para a sabatina a ser enfrentada por Moro quando “foi indicado para o STF”. O ministro da Justiça garantiu que essa história sobre ocupar uma vaga na Corte Superior é “uma fantasia”. “Nunca estabeleci nada”, comentou.

 

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