Nova mensagem vazada mostra Moro reclamando de investigação contra FHC

“Tem alguma coisa mesmo séria?”, teria perguntado a Dallagnol. “Melindra alguém cujo apoio é importante”, recrimina o então juiz

Alex Silva / ESTADÃO CONTEÚDOAlex Silva / ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 19/06/2019 13:34

O site The Intercept divulgou nesta terça-feira (18/06/2019) mais um trecho das possíveis conversas entre o então juiz da Operação Lava Jato e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e procuradores da força-tarefa, especialmente o coordenador do grupo em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol. De acordo com um diálogo publicado na noite desta terça pelo veículo on-line, Moro chegou a repreender Dallagnol por dar andamento a uma investigação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o mais emplumado tucano do país.

O procurador fala em “passar recado de imparcialidade” no trecho atribuído pelo The Intercept, e o juiz retorque: “Ah, não sei. Acho questionável, pois melindra alguém cujo apoio é importante”. Confira o diálogo vazado:

Moro – 09:07:39 – Tem alguma coisa mesmo seria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco?
Moro – 09:08:18 – Caixa 2 de 96?
Dallagnol – 10:50:42 – Em pp sim, o que tem é mto fraco
Moro – 11:35:19 – Não estaria mais do que prescrito?
Dallagnol – 13:26:42 – Foi enviado pra SP sem se analisar prescrição
Dallagnol – 13:27:27 – Suponho que de propósito. Talvez para passar recado de imparcialidade
Moro – 13:52:51 – Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante

O site relembra:

À época, a Lava Jato vinha sofrendo uma série de ataques, sobretudo de petistas e outros grupos de esquerda, que a acusavam de ser seletiva e de poupar políticos do PSDB. As discussões haviam sido inflamadas meses antes, quando o então juiz Moro aparecera sorrindo em um evento público ao lado de Aécio Neves e Michel Temer, apesar das acusações pendentes de corrupção contra ambos.

As primeiras mensagens divulgadas pelo site The Intercept, na noite do dia 9 de junho, mostraram a suposta interferência do então juiz da Operação Lava Jato, Sergio Moro, nas investigações da força-tarefa. O atual ministro da Justiça e Dallagnol teriam trocado colaborações durante as investigações.

A publicação afirmou ter uma série de mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos e documentos judiciais. Até o momento, havia divulgado seis partes do material.

Em conversas entre Moro e Dallagnol, o magistrado teria sugerido ao procurador que trocasse ordem de fases da Lava Jato, cobrado agilidade em novas operações, dado conselhos estratégicos e pistas informais de investigação e recomendado recursos e até notas oficiais ao Ministério Público.

Moro era coordenador da Lava Jato na época em que os supostos diálogos divulgados pelo site teriam ocorrido e responsável pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão devido ao processo conduzido pelo ex-juiz referente à propriedade de um apartamento triplex localizado no balneário do Guarujá, no litoral de São Paulo.

Após as primeiras publicações, ainda se apresentaram repercussões nas quais diálogos no Telegram indicam que Moro chegou a orientar como a força-tarefa deveria proceder com a imprensa para rebater as argumentações da defesa do ex-presidente. Moro era titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e teria ajudado a construir a estratégia para a imprensa, para fazer frente ao que chamou de “showzinho da defesa” do petista.

No último sábado (15/06/2019), o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota à imprensa na qual afirma que o ministro Sergio Moro “não reconhece a autenticidade” nem comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas “por meio de invasão criminosa de hackers”.

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