“In Fux we trust”, diz Moro a Dallagnol em nova conversa vazada

Três dias após a primeira leva, o site The Intercept revelou, na rádio BandNews, novo conteúdo envolvendo a Operação Lava Jato

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 12/06/2019 21:08

Três dias após a primeira leva, o site The Intercept revelou, em programa da rádio BandNews FM, um novo conteúdo que envolveria a Operação Lava Jato. Além do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e do coordenador da força-tarefa em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux também aparece na conversa vazada desta vez.

O diálogo, supostamente entregue ao site por uma fonte anônima, foi apresentada pelo editor-executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori, em programa do jornalista Reinaldo Azevedo no início da noite desta quarta-feira (12/06/2019). Desta vez, Dallagnol encaminha para o então juiz Moro mensagens que mandou para um grupo de procuradores da Lava Jato. Deltan relata uma conversa que teria tido com Fux, na qual o ministro do Supremo teria dado apoio à operação após uma “queda de braço” entre Moro e o também ministro do STF Teori Zavascki – na época, Teori era o relator da Lava Jato no STF.

Em resposta, segundo a reportagem, o atual ministro da Justiça e Segurança Pública comemora: “Excelente. In Fux we trust”.

Confira a conversa na íntegra:
“Mensagem de 22 de abril de 2016

13:04:13 Deltan – Caros, conversei com o FUX mais uma vez, hoje

13:04:13 Deltan – Reservado, é claro: O Min Fux disse quase espontaneamente que Teori fez queda de braço com Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo. Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Só faltou, como bom carioca, chamar-me pra ir à casa dele rs. Mas os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições

13:04:13 Deltan – Em especial no novo governo.

13:06:55 Moro – Excelente. In Fux we trust

13:13:48 Deltan – Kkk”

Primeiros áudios
As mensagens divulgadas pelo site The Intercept na noite desse domingo (09/06/2019) mostram a suposta interferência do então juiz da Operação Lava Jato, Sergio Moro, nas investigações da força-tarefa.

O atual ministro da Justiça e Dallagnol teriam trocado colaborações durante as investigações. A publicação afirma ter uma série de mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos e documentos judiciais.

Em conversas entre Moro e Dallagnol, o magistrado teria sugerido ao procurador que trocasse ordem de fases da Lava Jato, cobrado agilidade em novas operações, dado conselhos estratégicos e pistas informais de investigação e recomendado recursos ao Ministério Público.

Não é o que parece
De acordo com o portal O Globo, o ataque de hackers à Operação Lava Jato foi bem mais amplo do que aparenta ser. Entre os alvos estão integrantes das forças-tarefas da operação de ao menos três estados – Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal –, além de delegados federais de São Paulo e magistrados do Rio e de Curitiba.

São citados: a juíza substituta de Moro, Gabriela Hardt, que já afirmou por meio de nota ter seu telefone hackeado; o relator da segunda instância da Lava Jato no Rio de Janeiro, Abel Gomes; o juiz Flávio de Oliveira Lucas, do Rio; o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot; os procuradores Januário Paludo, Paulo Galvão, Thaméa Danelon, Ronaldo Pinheiro de Queiroz, Danilo Dias, Eduardo El Haje, Andrey Borges de Mendonça e Marcelo Weitzel; e o jornalista do O Globo Gabriel Mascarenhas.

Segundo o portal, outros dois procuradores auxiliares de Janot também foram vítimas de ataques, mas pediram para que seus nomes não fossem publicados.

Novas vítimas
Durante uma reunião com o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) nesta quarta-feira (12/06/2019), o ministro Moro disse que haveria novas “vítimas” dos vazamentos de mensagens do aplicativo Telegram, possivelmente parlamentares. Um áudio entre o ministro e o congressista obtido pela revista Veja mostra trechos inaudíveis, mas é possível ouvir algumas declarações de Moro. O telefonema ao político foi feito por volta das 15h15 desta quarta.

“Quando apareceu [inaudível] era montado, acho que invadiram dos procuradores, ficou esse negócio sendo remoído. Mas eles estão invadindo ainda muita gente, já ouvi falar que invadiram parlamentar lá também”, disse o ministro.

Moro também fala sobre as possíveis novas vítimas das invasões. “Talvez esperar um pouquinho aí, porque vai ter mais vítima para aparecer, aumenta o cenário positivo aí para uma iniciativa dessa espécie, e aí podemos trabalhar junto”, afirmou.

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