Moro sobre vazamentos de conversas: “Mais vítimas vão aparecer”

Em conversa telefônica com o deputado Celso Russomanno, o ministro diz que os atingidos são, possivelmente, parlamentares

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 12/06/2019 18:40

Durante uma reunião com o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) nesta quarta-feira (12/06/2019), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, diz que haverá novas “vítimas” dos vazamentos de mensagens do aplicativo Telegram, possivelmente parlamentares. Um áudio entre o ministro e o parlamentar obtido pela revista Veja mostra trechos inaudíveis, mas é possível ouvir algumas declarações de Moro. O telefonema ao parlamentar foi feito por volta das 15h15 desta quarta.

Confira parte da conversa publicada pela revista:

O áudio de cerca de oito minutos obtido pela revista por meio de uma ligação da reportagem ao celular de Russomanno pelo aplicativo WhatsApp, que ele o deputado teria atendido sem querer.

Segundo agenda oficial do ministro, a reunião entre Moro e Russomanno começou às 14h30. A ligação mostra também a presença de pelo menos mais uma pessoa, de nome Lucas, aparentemente levada ao encontro por Russomanno.

Sobre os diálogos vazados pelo The Intercept Brasil no último domingo (09/06/2019), Moro disse a Russomanno e Lucas que “ouviu falar” que parlamentares também foram alvos de invasões de hackers.

“Quando apareceu [inaudível] era montado, acho que invadiram dos procuradores, ficou esse negócio sendo remoído. Mas eles estão invadindo ainda muita gente, já ouvi falar que invadiram parlamentar lá também”, disse o ministro.

Moro também fala sobre as possíveis novas vítimas das invasões. “Talvez esperar um pouquinho aí porque vai ter mais vítima para aparecer, aumenta o cenário positivo aí para uma iniciativa dessa espécie e aí podemos trabalhar junto”, afirmou o ministro.

Entenda
As mensagens divulgadas pelo site The Intercept na noite do último domingo (09/06/2019) mostram a suposta interferência do então juiz da Operação Lava Jato, Sergio Moro, nas investigações da força-tarefa.

O atual ministro da Justiça e o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, teriam trocado colaborações durante as investigações. A publicação afirma ter uma série de mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos e documentos judiciais.

Em conversas entre Moro e Dallagnol, o magistrado teria sugerido ao procurador que trocasse ordem de fases da Lava Jato, cobrado agilidade em novas operações, dado conselhos estratégicos e pistas informais de investigação e recomendado recursos ao Ministério Público.

Explicações
O vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA), protocolou, nesta terça-feira (11/06/2019), pedido de convocação para Moro preste esclarecimentos sobre as mensagens reveladas pelo site no Plenário da Câmara dos Deputados.

Até o momento, a Câmara recebeu outros dois pedidos para que o ministro do governo Jair Bolsonaro (PSL) compareça à Casa: nas Comissões de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) e de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP). Moro irá prestar esclarecimentos no Seado, no dia 19, e na Câmara, no dia 26. Nos dois casos ele irá falar em comissões.

No Senado, houve acordo para evitar uma convocação do ministro da Justiça, e assegurar que ele possa ir à Casa voluntariamente como convidado para falar do conteúdo das conversas que supostamente trocou com o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol.

Nessa terça, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou que Moro vai comparecer à CCJ da Casa no dia 19 para falar sobre o vazamento.

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