Bolsonaro fala em “novela do Coaf” e nega interferência em órgãos

Presidente diz que parte do Ministério Público e da Receita age para atingi-lo: "A gente é refém, muitas vezes, de péssimos profissionais"

JP Rodrigues / MetrópolesJP Rodrigues / Metrópoles

atualizado 22/08/2019 21:53

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou que tenha a intenção de interferir nas atividades do Conselho de Fiscalização de Atividades Financeiras (Coaf) com a transferência do órgão para o Banco Central. Em transmissão ao vivo pelo Facebook nesta quinta-feira (28/08/2019), ele se referiu às críticas que recebeu pela mudança como “novela do Coaf”.  

“Falam tudo do Coaf. Que eu interferi, que eu quero prejudicar as investigações, citam pressão da minha família. Tudo o que podiam fazer com a minha família já fizeram. Quebraram o sigilo, passaram para a frente as informações. Passaram para a imprensa, com o sigilo quebrado, causando um transtorno enorme para a minha família”, afirmou o presidente. 

O filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, foi alvo de relatórios do Coaf que indicaram movimentações financeiras suspeitas em sua conta bancária, posteriormente usadas em investigações contra ele. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou a suspensão dos inquéritos com base nas informações em julho deste ano. 

Bolsonaro afirmou que parte do Ministério Público atua para atingir sua gestão. “Quem não deve não teme. Querem te atingir de uma forma ou de outra,e eu não agrado essa parte, essa minoria do Ministério Público, que quer me atingir usando seja lá o que for”, continuou.

O presidente lembrou que foi decisão do Congresso Nacional enviar de volta o Coaf para o Ministério da Economia, que teve autonomia para realizar as mudanças. No Banco Central, o órgão se transformou em Unidade de Inteligência Financeira. 

“Grande parte das pessoas foi mantida, mas ele [ministro da Economia, Paulo Guedes] trocou o presidente, obviamente”, justificou. 

O presidente da República frisou que o combate à corrupção é uma prioridade do governo. “Acredito que, em poucas semanas, o Coaf estará funcionando de forma a atender às necessidades no combate à corrupção, à lavagem de dinheiro, de modo que nós possamos mostrar para o mundo que é uma prioridade nossa”, finalizou.

Bolsonaro também negou, mais uma vez, que tenha intenção de influenciar a atuação da Polícia Federal com a troca do comando da superintendência do Rio de Janeiro. “Se troca muita coisa. Isso é natural. Eu fui eleito para mudar. Se alguma coisa estiver acontecendo de anormal, a gente propõe”, disse. 

“Inclusive, só por coincidência, o diretor-geral da Polícia Federal, isso está em lei, quem nomeia sou eu, o presidente da República. Se tiver que mudar, e não está previsto mudar, a gente muda e ponto final”, concluiu. 

A Receita Federal também foi criticada pelo presidente, depois que ele disse também ter carta branca para fazer mudanças na instituição.

“Me acusam também de estar mexendo na Receita para beneficiar meus familiares. O que a Receita tinha que fazer na vida do meu filho já fez. Não tem nada a apurar no tocante a isso aí, está certo? A gente é refém, muitas vezes, de péssimos profissionais que agem em interesse pessoal. Mas, como um todo, a Receita, a Polícia Federal, faz um trabalho exemplar no nosso país”, afirmou.  

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