Bolsonaro: “Conheçam a Amazônia. Vocês não serão queimados”

Ao discursar para uma plateia de investidores nacionais e estrangeiros, o presidente ironizou notícias sobre os incêndios na floresta

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 10/10/2019 11:53

Ao discursar para uma plateia de empresários brasileiros e do exterior, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a negar que haja uma crise envolvendo incêndios na Amazônia brasileira e atribuiu à imprensa a responsabilidade pela polêmica envolvendo o bioma, que ganhou repercussão internacional.

Bolsonaro convidou os presentes a visitar a região e garantiu, com uma dose de ironia: “Conheçam a Amazônia. Vocês não serão queimados, podem ter  certeza”, disse o presidente durante a abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2019.

O presidente voltou a defender a flexibilização de leis de proteção ambiental, usando como exemplo o estado de Roraima. “Trata-se de um estado riquíssimo, mas que está engessado por certas legislações, que nós queremos mudar”, disse o presidente.

“Não apenas para o governador de Roraima [mudar a legislação ambiental], mas também para o bem de seu povo. Seu povo tem brancos, negros e índios, em especial. Índios que querem se integrar cada vez mais à sociedade. Índios que também falam a verdade, que são, por vezes, latifundiários pobres, em cima de terras ricas”, discursou o presidente.

Em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, no mês passado, em Nova York, ele destacou essas mesmas propostas.

Bolsonaro, na sequência, reclamou da repercussão negativa de sua fala na ONU, tanto na imprensa brasileira, como na imprensa internacional.

“Foi um discurso realista, verdadeiro, mostrando quem é o Brasil e o que nós somos. Colocamos ali quase que um ponto final no monopólio do Raoni para falar sobre a Amazônia. Levamos ali uma carta de interesse de agricultores índios que querem produzir em sua terra”, defendeu o presidente.

“Sofremos muito com a mídia, do Brasil, em grande parte, e de fora do Brasil também”, reclamou.

“O que nós queremos na Amazônia é exploração, de forma sustentável, para o que ela tem de bom sirva para nós, sirva para a humanidade”, disse o presidente.

“Reconquistar ou conquistar”
O presidente ainda reforçou a presença do ministro Paulo Guedes no governo como dono da Política econômica, ao flar do compromisso que assumiu com o economista ainda na campanha.

“Eu disse-lhe se eu chegar (à presidência da Replica), o senhor será convidado e a política econômica é sua”, lembrou o presidente, que também exibiu a edição de domingo do jornal O Estado de São Paulo, para quem ele deu uma entrevista exclusiva, marcando sua posição em relação ao ministro. “A economia é 100% com o Guedes e não tem plano B”, repetiu o presidente.

Bolsonaro se disse interessando em “reconquistar ou conquistar” a confiança dos investidores com as medidas a serem tomadas pelo ministro na economia.

“Para nós, eu em especial, como presidente, para reconquistar ou conquistar a confiança de vocês, não vale bons discursos. Temos que provar, na prática, o que nós somos e o que estamos fazendo. O Paulo Guedes não é só o homem da economia. É mais do que um ministro da Economia apenas. Ele é do planejamento também. É da indústria e comercio. É do trabalho. Ele acumula quatro ministérios”, enfatizou.

Óleo nas praias
Bolsonaro voltou a dizer que o derramamento de óleo que atingiu as praias do Nordeste é de origem “criminosa com toda certeza”. Imediatamente, o presidente recuou: “quase certeza”.

O presidente disse que as providências de identificar responsáveis foram tomadas pela Petrobras, sem sua interferência e evitou citar a Venezuela como possível responsável pelo caso. O país vizinho foi citado em relatório da Petrobrás como origem do óleo encontrado no litoral nordestino.

“Obviamente não temos bola de cristal para descobrirmos rapidamente quem foram os responsáveis por esse ato criminoso”, disse o presidente.

 

 

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