Bolsonaro: “Interesse na Amazônia não é na porra da árvore”

O presidente afirmou que, se houver amparo legal, colocará as Forças Armadas para garantir exploração de minério na região

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atualizado 01/10/2019 18:55

Ao conversar com garimpeiros nesta segunda-feira (01/10/2019), na portaria do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que o interesse externo na Amazônia é exclusivamente no minério da região.

O presidente voltou a criticar a atuação de ONGs no local. “O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore. É no minério”, disse o presidente.

Um grupo de garimpeiros da região de Serra Pelada, no sul do Pará, foi até o Planalto para pedir a Bolsonaro que coloque as Forças Armadas na região com o objetivo de garantir a exploração da área demarcada desde o período da ditadura militar.

Os garimpeiros afirmam que a empresa Vale explora minério na área demarcada e que há “infiltração” de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entre entidades que atuam na região.

O presidente garantiu aos garimpeiros que formará um grupo de trabalho para estudar a área e, se houver amparo legal, colocará as Forças Armadas para atuar na região. “Se tiver amparo legal, eu boto as Forças Armadas lá”, mencionou, ao discursar em cima de uma cadeira, em frente à guarita de acesso ao estacionamento do Palácio do Planalto. “Chamei o ministro de Minas e Energia, Almirante Bento [Albuquerque], que vai continuar agora, com a Agência Brasileira de Mineração, buscar alternativas. Se tiver alternativa, a gente vai até o final da linha”, disse Bolsonaro.

“Tenho que cumprir a lei. Digo para vocês, se tiver amparo legal, eu boto as Forças Armadas lá. Não vou prometer para vocês porque não posso”, disse.

Vale
Bolsonaro ainda atacou a empresa Vale que, segundo ele, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, “abocanhou” o direito minerário no Brasil. “A gente conhece o potencial do Brasil, Roraima, sul do Pará. Eu sei como a Vale do Rio Doce abocanhou, no governo do FHC, o direito minerário no Brasil. Um crime. Um crime que aconteceu”, disse o presidente aos garimpeiros.

Os garimpeiros acusam a empresa, que tem uma área de exploração mineral próximo a Serra Pelada, de explorar minério na área demarcada para o garimpo. Segundo um dos líderes, a empresa estaria cavando no subsolo da área dos garimpeiros.

O líder do grupo, Jonas Andrade, que minutos antes chegou a conversar com o presidente Bolsonaro, no gabinete, junto com mais quatro lideranças, e disse que a empresa cava túneis e manda o ouro para a China, misturado com terra e sem prestar contas ao governo.

“Temos uma área demarcada que foi doada pelo presidente João Baptista Figueiredo. A Companhia Vale do Rio Doce recebeu 70 milhões de dólares para sair de lá. Só que ela saiu mas está bem do lado, fazendo um buraco lá, que chama projeto Serra Leste. E está mandando para fora do Brasil falando que é ferro, só que ela está levando é ouro. E não está sendo prestado conta. A Vale do Rio Doce coloca nos vagões terra, vai para o porto e vai direto para China”, denunciou o garimpeiro.

“Queremos a demarcação de nossas terras porque a Vale pode estar dentro de nossas terras através de túneis para tirar o nosso minério”, acusou o garimpeiro, que pertence à Cooperativa de Mineração dos Garimpos de Serra Pelada (Comigasp), que, segundo ele, reúne 44 mil garimpeiros.

Propina
“Está aí o mundo falando e muitas vezes criticando garimpeiros. É uma covardia que fazem com o meio ambiente de vários países do mundo. Faz aqui dentro do Brasil, ninguém toca no assunto por que a propina, pelo que parece, corre solta”, acusou Bolsonaro, que disse conhecer o ofício de garimpeiro porque seu pai exerceu essa profissão e ele também por alguns meses, como curioso, chegou a atuar.

“Então, nós queremos solucionar. Não é por que meu pai foi garimpeiro não. Eu garimpei por meses, como curioso. Sei o que é um jogo de peneira, uma batente. Sei das dificuldades, não é para qualquer um bater garimpo de aluvião. Tem outro tipo de garimpo”, disse o presidente.

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