Bolsonaro sobre Amazônia: queimadas não são pretexto para sanções

Sob pressão internacional, presidente mudou o tom e, em cadeia nacional de rádio e TV, defendeu a preservação do meio ambiente

Carolina Antunes/PRCarolina Antunes/PR

atualizado 23/08/2019 21:32

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta sexta-feira (23/08/2019), em cadeia nacional de rádio e televisão, que incêndios florestais não podem servir de pretexto para sanções internacionais. No pronunciamento, o chefe do Planalto afirmou que o Brasil é um “país amigo de todos e responsável pela proteção da Floresta Amazônica”.

“Seguimos abertos ao diálogo e cientes da nossa soberania. Outros países se solidarizaram com o Brasil bem como se prontificaram a levar a posição brasileira ao G7. Incêndios florestais existem em  todo o mundo e não podem servir de pretexto para sanções internacionais. Somos um país amigo de todos e responsável pela proteção da Floresta Amazônica”, sustentou.

Durante o discurso, o presidente afirmou ter “profundo amor” pela Amazônia e pela proteção da floresta. Por isso, ressaltou que vai combater o desmatamento ilegal e todas as atividades que coloquem em risco o meio ambiente: “Para proteger a Amazônia não basta fiscalização, é preciso dar oportunidade a toda essa população para que se desenvolva junto com o restante do país”.

Segundo Bolsonaro, o governo dele é “tolerância zero” com a criminalidade, e com a “área ambiental não será diferente”. O presidente anunciou que, aos estados que aceitarem a ajuda do Executivo, vai enviar equipamentos especializados para conter o fogo, integrantes das Forças Armadas e auxiliares.

O reforço servirá para “não apenas combater atividades ilegais”, mas conter o avanço dos incêndios. “Mesmo que as queimadas não estejam na medida dos últimos 15 anos, não estamos satisfeitos com o que estamos assistindo. Vamos atuar para controlar os incêndios”, acrescentou.

Pressionado por governadores, o mandatário do Planalto autorizou nesta sexta o envio das Forças Armadas à Amazônia. Ele assinou decreto de Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para o período entre 24 de agosto e 24 de setembro, para o combate aos incêndios na região.

Amazônia Legal
Na próxima terça-feira (27/08/2019), Bolsonaro deve receber os nove governantes dos estados que fazem parte da Amazônia Legal para tratar do assunto. Estarão presentes representantes de Roraima, do Acre, do Amapá, do Pará, do Amazonas, de Rondônia, do Mato Grosso, de Tocantins e do Maranhão.

Durante a tarde desta sexta, o presidente da República se reuniu com os ministros Fernando Azevedo (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Jorge Antonio de Oliveira (Secretaria-Geral), e o secretário-executivo da Casa Civil, José Vicente Santini, para definir ações de governo relacionadas à Amazônia.

Bolsonaro já havia assinado, na quinta-feira (22/08/2019), um despacho convocando toda a equipe ministerial para agir, dentro das respectivas competências, para amenizar a situação causada pelos incêndios. A decisão foi tomada depois de uma reunião de última hora com oito ministros no Planalto.

Críticas no mundo
A política ambiental do governo tem sido alvo de críticas no Brasil e no exterior. França, Irlanda, Alemanha, Canadá e Estados Unidos declararam preocupação com o aumento do desmatamento e do número de incêndios na Amazônia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou mais cedo que Bolsonaro “mentiu” sobre o compromisso com o meio ambiente. Macron anunciou que, diante do contexto do país, ele se opõe ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

No Twitter, o presidente da República rebateu as críticas do governo francês. Bolsonaro disse lamentar as declarações de Macron. “Lamento a posição de um chefe de Estado, como o da França, se dirigir ao PR brasileiro como ‘mentiroso’”, escreveu.

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