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O advogado José Yunes, ex-assessor e amigo pessoal do presidente Michel Temer (MDB), foi preso em São Paulo, nesta quinta-feira (29/3), pela Polícia Federal. A medida foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura se decreto presidencial promulgado em 2017 favoreceu empreiteiras e empresas do setor de portos em troca de propina.

A PF também prendeu o empresário Antônio Celso Grecco, dono da empresa Rodrimar. Ele é investigado por supostamente ter sido um dos beneficiados pelo chamado Decreto dos Portos.

Outros alvos da operação, batizada de Skala, são o ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo Wagner Rossi e o coronel aposentado da Polícia Militar de SP João Batista Lima, amigo pessoal de Temer. Os dois foram presos.

Segundo a Polícia Federal, o Coronel Lima, 74 anos, está sendo intimado a depor nos últimos oito meses e tem conseguido se livrar de prestar esclarecimentos alegando problemas de saúde. Ligado ao presidente desde quando o emedebista exerceu o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo, nos anos 1980 e 1990, o militar teria recebido R$ 1 milhão da JBS, que seria destinados a Michel Temer.

Delações
O nome de Yunes aparece em pelo menos três delações. O operador financeiro Lúcio Funaro disse que entregou dinheiro vivo oriundo da Odebrecht. A quantia foi de R$ 1 milhãoEm depoimento no ano passado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Yunes admitiu ter recebido o dinheiro. Mas afirmou desconhecer se tratar de propina.

Yunes deixou o governo após vir à tona delação do ex-executivo da companhia Cláudio Melo. Ele narrou, em depoimento, reunião ocorrida em 2014 em que Temer teria pedido dinheiro a Marcelo Odebrecht para o MDB. Dos R$ 10 milhõesR$ 6 milhões seriam para campanha de Paulo Skaf e R$ 4 milhões para o ministro Eliseu Padilha distribuir.

O amigo de Temer também foi citado na bombástica delação de Joesley Batista, da JBS. O empresário relatou em depoimento na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, que o presidente teria tentado incluir o advogado José Yunes “para intermediar um acordo com uma empresa em disputa judicial em andamento contra o Grupo J&F”.

Segundo o executivo, o negócio renderia cerca de R$ 50 milhões a Yunes.

O advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Yunes, divulgou nota sobre a prisão do seu cliente. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia. Sempre que intimidado, ou mesmo espontaneamente, compareceu a todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e a cidadania”, destacou.

As defesas da Rodrimar e dos demais alvos da operação não se manifestaram ainda. O Palácio do Planalto também não se pronunciou.

Decreto
Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que o Decreto dos Portos abriu brecha para que o governo federal beneficiasse empresas com contratos mais antigos e que ainda não foram regulamentados. Entre elas, estaria a Rodrimar. Além disso, o texto amplia de 50 para 70 anos o tempo das concessões portuárias.

A Rodrimar explora três áreas no Porto de Santos, em São Paulo, mantidas por liminares da Justiça.

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