PEC da Segurança segue parada no Senado um mês após passar na Câmara

Proposta segue sem ser despachada por Alcolumbre em meio a impasse sobre sua relação com Lula, que se desgastou desde a indicação ao STF

atualizado

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Agência SP
Segurança pública de SP já reinvestiu R$ 90 milhões contra o crime
1 de 1 Segurança pública de SP já reinvestiu R$ 90 milhões contra o crime - Foto: Agência SP

Aprovada há um mês na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como a “PEC da Segurança Pública“, está parada no Senado, à espera de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faça a indicação de relator e defina o rito de tramitação.

A tensão na relação entre o parlamentar e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem travado o andamento da proposta.

A PEC é prioritária para o governo federal neste ano de eleitoral e teve uma tramitação de quase um ano na Câmara dos Deputados. Foi  uma discussão marcada pela reivindicação das independências dos Estados e tentativas da oposição de incluir trechos polêmicos, como a redução da maioridade penal e o veto da participação de presos nas eleições.

Diferentemente da Câmara, onde o Regimento Interno determina que todas as propostas devem passar obrigatoriamente pelo menos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o Senado não tem um rito delimitado.

Isso dá ao presidente da Casa o poder de definir por quais colegiados propostas são analisadas, podendo, inclusive, mandá-las direto pro plenário ou em regime terminativo nas comissões.

O trâmite dá a Alcolumbre o poder de alongar ou enxugar a tramitação das proposições. A demora no despacho, que chegou da Câmara em 10 de março, se dá em um momento de incerteza quanto à relação entre Alcolumbre e Lula.

Antes próximo e direto, o contato se viu reduzido depois do petista indicar Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em desfavor do preferido de Alcolumbre, o também senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o presidente Lula
Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
O senador Omar Aziz (PSD-AM)
O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar
Lula e Davi Alcolumbre
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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o presidente Lula
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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o presidente Lula

Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva
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Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)

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O senador Omar Aziz (PSD-AM)
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O senador Omar Aziz (PSD-AM)

O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar
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O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar

Roque de Sá/Agência Senado

Com acenos e tentativas de aproximação tímidas nos últimos meses, projetos do governo não encontram a mesma priorização que tinham antes. A atual composição e comando do Senado era muito mais favorável ao Planalto do que a Câmara, Casa em que a PEC da Segurança já sofreu mudanças importantes.

Entre os cotados para relatar a PEC da Segurança no Senado está o senador e ex-delegado Alessandro Vieira (MDB-SE). O parlamentar já foi relator de outro projeto de Segurança do governo: o PL Antifacção, onde ele tentou aumentar a tributação sobre casas de apostas para serem destinadas ao combate à criminalidade.

Vieira é visto entre líderes como uma “escolha natural” para relatar a matéria, mas há outros nomes que são citados entre parlamentares, como o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA) e o líder do PSD, Omar Aziz (PSD-AM). Alcolumbre, porém, ainda não bateu o martelo.


O que diz a PEC da Segurança

  • Cooperação: órgãos deverão atuar em regime de cooperação federativa, com foco na prevenção, investigação e execução penal, com mecanismos como força-tarefa conjunta, interoperabilidade de sistemas e compartilhamento de informações.
  • Líderes criminosos: sanções mais gravosas e regime jurídico especial para integrantes e líderes de organizações criminosas de alta periculosidade, como facções, milícias privadas e grupos paramilitares.
  • Eleições: presos provisórios terão direitos políticos suspensos.
  • PF e PRF: PEC aumenta as competências da Polícia Federal para investigação de organizações criminosas e para casos de crimes ambientais. A PRF passa a atuar em ferrovias e hidrovias.
  • Guardas Municipais: o texto permite que corporações municipais possam excercer funções de policiamento comunitário.
  • Fundos: 50% do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional devem ser enviados, sem necessidade de convênio, aos Estados e municípios. A proposta também reserva 10% do Fundo Social do pré-sal para os fundos de segurança, de forma escalonada de 2027 a 2029.
  • Bets: 30% do que já é arrecadado em impostos sobre apostas esportivas será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

Elaborada pelo gestão do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, a PEC inclui o Sistema Único da Segurança Pública (SUSP), na Constituição e estabelece parâmetros para o combate ao crime organizado, incluindo lideranças, que terão regras mais duras, como a vedação à progressão de regime e exprprioação de bens atrelados a atividades criminosas.

Sob a relatoria do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), também foram inclusos pontos como uma maior distribuição de recursos federais para Estados e municípios. O relator também turbinou a entrada de recursos para fundos.

O texto estabelece que 30% do que já é arrecadado em impostos sobre apostas esportivas, as chamadas bets, será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

Mendonça, que é da oposição, também tentou incluir a realização de um referendo para reduzir a maioridade penal em 2028. Este ponto, porém, ficou de fora do texto e tramitará sozinho em outra proposição na Câmara.

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