Paes transmite cargo a vice e entra na disputa pelo governo do Rio
Mais longevo, Paes renunciou para disputar o governo estadual pela 3ª vez. Cavaliere assume e será o prefeito mais jovem do Rio
atualizado
Compartilhar notícia

Eduardo Paes (PSD) renunciou nesta sexta-feira (20/3) ao comando da Prefeitura do Rio de Janeiro para disputar, pela terceira vez, o governo do estado. Ele transmitiu o cargo a Eduardo Cavaliere (PSD), seu vice, que será o prefeito mais jovem da história do Rio, em cerimônia no Palácio da Cidade.
Na carta de renúncia enviada à Câmara de Vereadores do Rio, Paes afirmou que a pré-candidatura ao Palácio Guanabara é “fruto de muita reflexão e do entendimento de que tenho um dever a cumprir com o Estado do Rio de Janeiro”.
“Sou profundamente grato aos cidadãos cariocas por quatro vezes terem me dado a honra de governar nossa Cidade, mas, em virtude de minha pré-candidatura ao Governo do Estado, devo deixar a Prefeitura”, escreveu o prefeito, que, na quinta-feira (19/3), já havia se despedido de servidores e correligionários.
Eduardo Paes foi o prefeito que mais tempo comandou a capital fluminense, com quatro mandatos. Em sua terceira tentativa de chegar ao Guanabara, ele lidera as pesquisas de intenção de voto e conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem agradeceu pela “parceria” durante o discurso de despedida.
“Minha candidatura não é fruto de um projeto pessoal. Não posso ignorar essa missão”, disse Paes.
Em clima de campanha, o agora ex-prefeito protagonizou, nas últimas semanas, embates com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL). Castro tentou vincular a Prefeitura ao crime organizado após operação da Polícia Civil que prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD).
Paes reagiu às declarações, classificou o governador como “omisso” no combate à criminalidade e o acusou de usar politicamente as polícias estaduais. Pouco depois, a Justiça fluminense determinou a soltura do vereador, considerando que os elementos que embasaram a operação eram precários.
Na cerimônia desta sexta, ao se despedir da Prefeitura do Rio, Eduardo Paes voltou a mencionar gargalos na segurança pública do estado, que deve ser um dos focos da campanha de Paes ao Guanabara. Paes afirmou que o estado vive uma “grave crise” e que população não verá, no próximo ano, um governador “empurrando problema da segurança pública para o presidente da República”.
Outro episódio de confronto envolveu a criação de uma nova linha de ônibus ligando a capital à Baixada Fluminense. O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro) afirmou que o município não tinha autorização para fazer linhas intermunicipais e chegou a rebocar veículos da rota.
Paralelamente às disputas, Paes também tem se movimentado para ampliar sua inserção em segmentos eleitorais mais alinhados ao grupo de Castro, que deve lançar Douglas Ruas (PL) como candidato ao governo estadual.
Um dos passos foi a escolha da advogada Jane Reis, ligada à Assembleia de Deus, como vice na chapa de 2026. Integrante do clã Reis, ela mantém vínculos com a Baixada Fluminense, segundo maior colégio eleitoral do estado.
Em outro gesto, na última semana, Paes chegou a pedir, durante encontro com lideranças evangélicas, uma oração pela saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os movimentos buscam consolidar a candidatura de Paes antes da entrada mais direta do grupo Bolsonaro na campanha de Ruas. Na disputa anterior pelo Guanabara, Paes também liderava as pesquisas, mas perdeu fôlego e acabou derrotado por Wilson Witzel, que recebeu apoio de Bolsonaro.
Witzel foi mencionado por Eduardo Paes em seu discurso de despedida. Segundo ele, em 2018, os eleitores foram enganados por “falsas promessas” de um “farsante”.
“Desde então, o mesmo grupo político governa o estado, e os problemas só se agravaram. A gente não pode permitir que o povo do Rio de Janeiro seja novamente seduzido pelo canto da sereia e pelas falas promessas dessa gente conivente, incompetente e omissa. O compromisso que a gente firma aqui hoje é de salvar o estado do Rio de Janeiro”, afirmou.
Em vídeo de despedida publicado nas redes sociais, Paes afirmou que, ao deixar a prefeitura, conclui o “mais longo e importante capítulo da minha vida até o momento”.
O ex-prefeito também declarou que entrega a cidade “em boas mãos”. Eduardo Cavaliere foi secretário de Meio Ambiente, deputado estadual e chefe da Casa Civil na gestão Paes.
“Por um lado, a minha saída da prefeitura representa o fim de um capítulo muito importante para mim. Por outro lado, ela também marca o início de um outro capítulo. Eu jamais tomaria essa decisão se eu não tivesse a certeza de que eu estou deixando o Rio em boas mãos. Aliás, eu diria nas melhores mãos”, afirmou Eduardo Paes.
De perfil técnico, Cavaliere afirmou, durante o discurso de posse, que servirá ao Rio e agradeceu a oportunidade de trabalhar ao lado de Eduardo Paes.
“Honra de poder servir ao seu lado. Independente do que nós estamos fazendo hoje, você continua a serviço da população da nossa cidade e, certamente, no futuro breve, do nosso estado”, disse o novo prefeito da capital fluminense.

Carta de renúncia
Ao comunicar sua renúncia aos vereadores do Rio de Janeiro, Eduardo Paes afirmou que deixa o cargo com “paz de espírito” porque Eduardo Cavaliere “dará continuidade às políticas públicas exitosas”.
Ele também agradeceu pelos mais de 4,8 mil dias à frente do comando da cidade do Rio e disse que tem um “dever a cumprir com o Estado do Rio de Janeiro”.
Leia a íntegra da carta publicada no Diário Oficial da Câmara de Vereadores do Rio:
“Dirijo-me a Vossa Excelência para comunicar minha renúncia ao mandato de Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro em cumprimento ao disposto no inciso I do art. 6º do Decreto-lei nº 201, de 27 de fevereiro de 1967, e ao inciso XVIII do art. 45 da Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro.
Ela é fruto de muita reflexão e do entendimento de que tenho um dever a cumprir com o Estado do Rio de Janeiro. Desde os meus vinte e dois anos, sirvo ao Rio e à sua capital – como Subprefeito, Vereador, Deputado Federal e Prefeito – compromisso que permanece inabalável. Sou profundamente grato aos cidadãos cariocas por quatro vezes terem me dado a honra de governar nossa Cidade, mas, em virtude de minha pré-candidatura ao Governo do Estado, devo deixar a Prefeitura.
Depois de 4.827 dias como Prefeito, tenho a convicção de que o Rio é hoje uma Cidade muito mais desenvolvida, menos desigual e mais inclusiva, com uma economia pujante e serviços públicos de qualidade. Ainda enfrentamos desafios, mas, se posso deixar o mandato com paz de espírito, é porque sei que o Vice-Prefeito Eduardo Cavaliere dará continuidade às políticas públicas exitosas deste governo e que contará com o pleno apoio dessa Câmara Municipal para seguir construindo uma cidade onde todos possam viver com humanidade, dignidade e qualidade de vida.
O amor pelo Rio sempre me motivou a trabalhar duro todos os dias para que os cariocas tenham uma vida melhor e possam encontrar a felicidade e para que as próximas gerações possam colher os frutos de um legado de transformações. Por nosso povo, à fé em mim depositada, dei minha vida em retribuição.”

