Com avanços no RJ e ES, Lula ainda negocia palanques em SP e MG
Sudeste concentra o maior eleitorado do país. De olho em palanques fortes, Lula tenta convencer candidatos nos dois maiores estados
atualizado
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Pré-candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem enfrentado obstáculos para consolidar palanques no Sudeste, região que concentra o maior eleitorado do país, com mais de 66 milhões de votantes.
Em dois dos quatro estados da região, Lula ainda não conseguiu bater o martelo sobre os nomes que disputarão os governos estaduais nas eleições de outubro.
Dentro do PT, as tratativas relacionadas ao Rio de Janeiro são consideradas mais avançadas. No Espírito Santo, a escolha também é vista como encaminhada, embora ainda faltem ajustes na composição da chapa.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o presidente tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo estadual. Apontado como um dos possíveis sucessores de Lula na liderança do PT, Haddad tem resistido à ideia. Dirigentes da sigla no estado avaliam, porém, que ele está próximo de ser convencido pelo presidente.
Haddad concorreu ao Palácio dos Bandeirantes em 2022 e foi derrotado, no segundo turno, por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve disputar a reeleição. Internamente, o PT avalia que, mesmo diante das dificuldades para vencer o atual governador, uma nova candidatura de Fernando Haddad poderia ajudar Lula a fortalecer seu desempenho eleitoral no estado.
As articulações de Lula em São Paulo também passam pela definição dos candidatos ao Senado. Aliados do presidente consideram fundamental lançar nomes fortes para impulsionar sua candidatura à reeleição. As ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) são cotadas para disputar as duas vagas ao Senado que estarão em jogo, neste ano, em São Paulo.
Também permanece em compasso de espera a definição do palanque em Minas Gerais, segundo maior contingente eleitoral do país. Há meses, Lula defende o lançamento do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como candidato ao governo estadual.
O presidente tem mantido conversas com Pacheco, que, após uma série de reuniões, passou a demonstrar disposição para entrar na disputa ao Palácio Tiradentes. As negociações envolvem uma eventual mudança de partido do senador.
Sem o anúncio formal de Pacheco, dirigentes do PT discutem, contudo, alternativas para estruturar o palanque lulista no estado.
“Pacheco é o candidato que queremos. Estamos torcendo muito para que vire realidade, e ele está dando todos os sinais de que será candidato. Mas há, sim, conversas sobre alternativas”, afirmou um dirigente.
A indefinição dificulta a escolha dos nomes que disputarão o Senado por Minas. Por ora, dirigentes mineiros indicam que uma das vagas deverá ser ocupada pela prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). A segunda candidatura seria definida junto da aliança estadual.
No Espírito Santo, o PT trata como “pavimentada” a candidatura do deputado federal Helder Salomão ao governo estadual. O partido também deve lançar o senador Fabiano Contarato à reeleição.
Dirigentes da sigla afirmam que ainda estão em aberto as negociações sobre a composição da chapa. Salomão tem mantido diálogo com lideranças de outros partidos em busca de alianças. Para um integrante do diretório nacional do PT, a candidatura do parlamentar já está consolidada internamente.
Em 2022, o partido abriu mão de lançar candidatura própria para apoiar a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB). Neste ano, Casagrande disputará uma vaga ao Senado e indicou o vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), como candidato à sua sucessão.
Apesar do alinhamento político com Casagrande, dirigentes do PT avaliam que uma aliança formal com o governador ou com Ferraço “parece mais difícil” em 2026.
“Renato Casagrande tem um compromisso com o Ferraço. Não me parece que ele vá compor com o Helder”, afirmou uma liderança do partido.
Na próxima quarta-feira (11/3), o grupo responsável por discutir a tática eleitoral do PT voltará a se reunir para avaliar o andamento das negociações estaduais. Alguns dirigentes esperam que o encontro marque o início das definições sobre as candidaturas, encaminhando os acordos para posterior ratificação no diretório nacional do partido.
Palanques de Lula no Sudeste
- São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores. O peso do estado nas eleições levou o presidente Lula a se envolver diretamente na construção das candidaturas.
- O petista tenta convencer Fernando Haddad a disputar o governo paulista e discute lançar as ministras Simone Tebet e Marina Silva ao Senado.
- Minas Gerais, segundo estado com maior número de eleitores, também enfrenta indefinição. Lula aposta em Rodrigo Pacheco como candidato ao governo.
- No Rio de Janeiro, que tem mais de 13 milhões de eleitores, o petista fechou apoio ao prefeito Eduardo Paes. O PT indicará Benedita da Silva para uma das vagas ao Senado na chapa.
- O PT também trata como “pavimentada” a candidatura do deputado Helder Salomão ao governo do Espírito Santo.
Rio: palanque fechado

No Rio de Janeiro, Lula e o PT adotaram uma estratégia que deve se repetir em diversos estados: a sigla abriu mão da cabeça de chapa e decidiu apoiar um candidato considerado mais competitivo.
Com articulação direta de Lula, o partido apoiará a candidatura do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), ao governo fluminense. O PT indicará a deputada Benedita da Silva como candidata ao Senado na chapa de Paes, que escolheu a advogada Jane Reis (MDB) como candidata a vice.
Nesta sexta-feira (6/3), o presidente Lula viajará ao Rio de Janeiro para cumprir agendas ao lado do prefeito da cidade, às vésperas de Eduardo Paes deixar o cargo. A expectativa é de que o prefeito renuncie ao posto no próximo dia 20 para mergulhar na campanha ao Palácio Guanabara.
Lula e Paes devem inaugurar obras na zona oeste da capital fluminense. O presidente também deve participar do anúncio da criação de um hub internacional no Aeroporto Internacional do Galeão. Paes é um dos principais defensores da ampliação de voos no terminal.











