
Paulo CappelliColunas

Vereador preso em operação contra CV foi secretário de Eduardo Paes
Vereador Salvino Oliveira (PSD) integrou a gestão municipal até 2024 e é suspeito de negociar campanha em área dominada pela facção
atualizado
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Preso nesta quarta-feira (11/3) durante a Operação Contenção Red Legacy, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o vereador carioca Salvino Oliveira (PSD) atuou como secretário na terceira gestão do prefeito Eduardo Paes entre janeiro de 2021 e abril de 2024. A investigação aponta que ele teria negociado com um dos chefes do Comando Vermelho (CV) autorização para fazer campanha eleitoral em área dominada pela facção.
Salvino comandou a Secretaria da Juventude do município até deixar o cargo para disputar as eleições de 2024, quando foi eleito vereador. Segundo a investigação, ele teria tratado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, a permissão para realizar atividades de campanha na comunidade da Gardênia Azul. Ao chegar à Cidade da Polícia, o vereador negou envolvimento e afirmou que “estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”.
A operação teve como alvo a estrutura nacional do Comando Vermelho, organização criminosa que atua em diversas comunidades do estado. Entre os investigados está Márcia Gama, mãe do rapper Oruam e esposa do traficante Marcinho VP. De acordo com os investigadores, ela é suspeita de atuar como intermediária de mensagens entre integrantes da facção presos e membros em liberdade, função considerada estratégica para o grupo. Márcia não foi localizada durante o cumprimento dos mandados e passou a ser considerada foragida.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, que cumpriu 13 mandados de prisão. Até a última atualização, seis pessoas haviam sido presas, enquanto outros quatro investigados já se encontravam no sistema prisional, entre eles seis policiais militares.
Os investigadores também apontam indícios de cooperação entre o CV e o PCC e relatam tentativas de interferência política em territórios controlados pelo tráfico, com o objetivo de transformar comunidades em redutos eleitorais.









