
Paulo CappelliColunas

Vorcaro chamou André Esteves, do BTG, de “descontrolado e desvairado”
Mensagens obtidas pela PF mostram que Daniel Vorcaro relatou à namorada uma “guerra” de narrativas contra André Esteves, do BTG Pactual
atualizado
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O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, chamou André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual, de “descontrolado”, “desvairado” e “senhor dos exércitos”. As mensagens foram enviadas à namorada, Martha Graeff. As conversas foram obtidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação que levou à prisão do empresário.
Nas mensagens, trocadas entre 31 de março e 1º de abril de 2025, Vorcaro relata contatos com jornalistas e conversas com donos de veículos de imprensa ao enfrentar o que descreve como uma “guerra” de narrativas conduzida por Esteves. “Tá plantando notícia”, afirmou o banqueiro em um dos trechos.
Nos diálogos, Vorcaro também comenta bastidores de disputas no mercado financeiro e a repercussão do tema na imprensa. “Não entro em guerra pra perder com o senhor dos exércitos”, escreveu o empresário, em referência ao que considera a influência de Esteves entre grandes bancos.
Em seguida, o Vorcaro chegou a questionar a sanidade do rival, afirmando que ele estaria “desvairado” e “descontrolado”. Vorcaro disse ainda que Esteves reagiu a relatos de terceiros de que ele teria falado mal do concorrente. “Ficou falando conversa de quinta série. Inacreditável”, escreveu. “Disse que alguém falou que falei mal”.
O material integra o conjunto de mensagens analisadas pelos investigadores ao longo da apuração conduzida pela PF, que fundamentou a 3ª fase da Operação Compliance Zero. Na decisão que autorizou prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça apontou indícios de um esquema criminoso que pode envolver integrantes da alta cúpula de órgãos governamentais.
Esteves comprou ativos do Banco Master
Em maio de 2025, o BTG Pactual, controlado por André Esteves, comprou um pacote de ativos ligados ao Banco Master. A operação envolveu ativos avaliados em cerca de R$ 1 bilhão, incluindo o Hotel Fasano do Itaim, em São Paulo, além de participações acionárias em empresas e outros direitos financeiros ligados ao empresário.
Segundo informações divulgadas à época, os recursos obtidos com a operação seriam destinados ao reforço de capital do Banco Master, em meio ao processo de reorganização da instituição.







