Não é só Lula: Senado também tenta surfar em “derrapadas” da Câmara

Senadores consideram receber de deputados, com pautas “tóxicas”, a mesma oportunidade de popularidade dada pelo Congresso ao Planalto

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O presidente Lula (PT), ao lado dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente -- Metrópoles
1 de 1 O presidente Lula (PT), ao lado dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Parece setembro de um ano dourado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Assim brincam aliados que atribuem ao Congresso a superação de sequenciais crises que prejudicaram o governo no início de 2025. O bom momento vale-se de derrapadas promovidas pela Câmara. Agora, o Senado também quer seu lugar ao Sol e surfa as ondas deixadas pelo naufrágio momentâneo da Câmara perante a opinião pública, por causa de pautas eleitoralmente tóxicas levantadas pelos próprios deputados.

Nessa quarta-feira (24/9), os senadores demonstraram que não seguirão a Câmara em intentonas que possam lhes prejudicar nas eleições de 2026. Não somente rejeitaram por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição que dificulta investigação contra parlamentares, a PEC da Blindagem, como queriam reprová-la em plenário, mesmo sem necessidade regimental.

Os senadores entendem a natureza do seu cargo os torna alvos mais fáceis de retaliação na próxima campanha eleitoral, pois estão em menor número em comparação aos deputados, e disputam uma eleição proporcional com características de majoritárias. Mas ao olhar melhor para a PEC da Blindagem, viram que poderiam na verdade ganhar eleitores com a rejeição do texto empacotado pelos deputados.


O “toxímetro” das propostas:

  • PEC da Blindagem é rejeitada por 72% do eleitorado, segundo pesquisa Pulso Brasil/Ipespe;
  • Uma anistia ampla, incluindo Bolsonaro, tem 41% de rejeição e 36% de aprovação, segundo a Quaest;
  • Outros 10% defendem anistiar apenas envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, ainda de acordo com a Quaest;
  • A isenção de IR tem apoio de 70%, enquanto 76% defendem aumentar cobrança de mais ricos, segundo o Datafolha.

Em paralelo, os senadores também deram recados à Câmara ao aprovar um texto alternativo ao projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, parado na Câmara diante de impasses sobre a anistia e dosimetria para os condenados por tentativa de golpe. Ao discursarem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), afirmaram que, diferentemente dos deputados, se debruçavam sobre medidas de interesse da população.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), que presidiu a sessão da CAE, deu o tom. “Na Câmara priorizaram votar o aumento de privilégios com o aumento das prerrogativas e facilidades dos deputados, e esse grupo trata a isenção como um privilégio para a população. O Senado, no dia de hoje, mostra que estamos do lado do povo brasileiro”, afirmou.

O Senado ainda se prepara para surfar em torno da redução de penas ou anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado. A proposta, que pode ser votada na próxima semana na Câmara, também é vista como impopular. E uma ala considerável dos senadores quer derrotá-la, levantando para si novamente a pecha de salvadores da pátria diante da irresponsabilidade do Senado.

A bola pode vir ainda mais redonda para os senadores, caso de fato cumpra-se a previsão do relator do PL da Dosimetria, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Nesta quarta, ele afirmou que a isenção do Imposto de Renda corre risco de não ser aprovada na Câmara se a redução de penas não for votada. Nesse cenário, senadores farão campanha de que já aprovaram a sua versão da proposta que pode oferecer um alívio tributário à classe média.

Lula saiu das cordas

Senadores que querem seguir a mesma jornada de Lula. O petista atingiu em fevereiro de 2025 o pior nível de aprovação em seus três mandatos segundo o Datafolha, na esteira das mudanças nas regras do Pix e outros bate-cabeças do seu governo.

Na sequência ainda, ocorreram a crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o estouro do escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Agora, o petista saiu das cordas e venceria qualquer nome no segundo turno, como mostrou a Genial/Quaest divulgada no da 18/9.

Parte do próprio governo atribui ao Legislativo a virada. O Congresso municiou o PT para reeditar o debate “ricos contra pobres” quando se recusou a taxar a nata do PIB para atingir a meta fiscal, mesmo sob risco de cortes em programas sociais importantes.

A campanha fez crescer o termo “Congresso da mamata” nas redes. Na sequência, a Câmara atraiu uma nova onda de insatisfação popular ao aprovar, com anuência do Senado, o aumento do número de deputados. A canetada de Lula para vetar o projeto ocorreu justamente visando ganhos eleitorais, mesmo que significasse desgaste com o Legislativo.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?