Com recados para a Câmara, isenção "paralela" do IR avança no Senado
Em pressão à demora da Câmara em pautar o projeto com relatoria de Lira, colegiado aprovou a proposta de Calheiros, que vai ao plenário

Em resposta à demora da Câmara dos Deputados em pautar o projeto para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta quarta-feira (24/9) um texto paralelo à proposta. Foram 20 votos favoráveis e zero contrários. O texto segue para o plenário da Casa Alta.
O presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na terça-feira (23/9) que o Projeto de Lei da isenção do IR será votado na próxima semana. A decisão se deu depois de Motta se reunir com líderes partidários e o ex-presidente da Casa e relator do texto, Arthur Lira (PP-AL).
O projeto no Senado é relatado pelo presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), adversário alagoado de Lira. O texto estabelece isenção para quem ganha até R$ 5.000 e também amplia o pagamento de impostos pela parcela mais rica do país, mirando a taxação de dividendos.
“A isenção do IR sobre a distribuição de lucros e dividendos que se propõe encerrar é tida pelo autor como benefício injustificável à parcela mais rica da população, e que não encontra paralelo na maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento”, diz trecho do texto.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO senador acatou uma parte da emenda proposta pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que pede pela garantia da compensação objetiva e proporcional das perdas efetivas dos municípios.

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Ver todasO projeto da Casa Baixa é relatado pelo ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), principal adversário político de Renan em Alagoas. O relatório foi aprovado em 16 de julho pela comissão especial e teve a urgência aprovada em 21 de agosto, mas ainda não chegou ao plenário da Câmara por falta de acordo. A compensação se dá pelo aumento de impostos dos chamados super-ricos.
Apesar da estagnação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou na segunda-feira (22/9) que o texto pode ser analisado pelo plenário da Casa já na próxima semana. Lira participará da reunião de líderes marcada para esta terça-feira (23/9) a fim de apresentar um parecer sobre o texto.
A disputa pela glória do texto se dá em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) luta para emplacar as pautas governistas, principalmente por ser uma promessa de campanha.
O governo precisa correr para aprovar o PL em decorrência da noventena. Esse dispositivo previsto na Constituição Federal estabelece que espécie de “período de carência” de 90 dias entre a publicação de uma lei que cria, aumenta ou diminui um imposto e comece a valer.
Provocações
Ao apresentar seu parecer, Renan provocou Lira e apontou as inovações do seu texto em comparação ao do adversário local. O senador também reclamou das articulações paralelas ao projeto na Câmara.
“Esse projeto já foi vinculado à necessidade de se votar a PEC da Blindagem e a anistia. Ontem, em reunião com o presidente da Câmara e líderes, setores do Centrão passaram a defender a vigência da isenção somente em janeiro de 2027, porque em 2026 teria caráter político”, reclamou Renan.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE), que presidiu a sessão, também reclamou. “Na Câmara priorizaram votar o aumento de privilégios com o aumento das prerrogativas e facilidades dos deputados, e esse grupo trata a isenção como um privilégio. O Senado, no dia de hoje, mostra que estamos do lado do povo brasileiro”, afirmou.



