Mistério marca 4 meses do desaparecimento de crianças em Bacabal
Após 120 dias do sumiço de Ágatha e Allan, em Bacabal, caso segue sem respostas. Hipótese de sequestro ganha força
atualizado
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O desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completa, nesta segunda-feira (4/5), 120 dias. Os irmãos sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), após saírem para brincar. Na tentativa de não serem vistos por um tio que alertou sobre os perigos, as crianças desviaram o caminho na mata e acabaram se perdendo.
Sequestro, ataque de animal e afogamento foram algumas das linhas investigadas pela força-tarefa Operação Bacabal, que mobilizou nove equipes simultâneas, incluindo a Marinha do Brasil. As buscas ocorreram em frentes terrestre, aérea e aquática. Apesar da mobilização, o caso chega aos quatro meses sem respostas.
O Metrópoles apurou que, nos bastidores da investigação, os agentes olham com mais atenção para a hipótese de que as crianças tenham sido raptadas.
Hipóteses descartadas
Em março, após dois meses de operações, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), Célio Roberto, que coordena as buscas, afirmou ao Metrópoles que algumas hipóteses para o desaparecimento dos irmãos foram descartadas.
Segundo ele, uma área de aproximadamente 4,05 km² de mata e campos foi submetida a uma varredura sistemática, com a participação de mais de 300 pessoas. Diante da mobilização e da inspeção completa da região, Célio afirmou que não há indícios de que as crianças pudessem estar perdidas na mata.
“Perdidos na mata, eu posso cravar que não estão. Nós palmilhamos ali cada espaço da mata, inclusive, fizemos isso de modo científico, distribuindo ali, por quadrantes, os homens do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, do Exército. Nós tínhamos ali, em média, 300 pessoas por dia fazendo as buscas conosco”, afirmou.
De forma semelhante, a possibilidade de que Ágatha e Allan tenham caído no Rio Mearim, nas imediações da comunidade, também foi descartada. Mais de 180 km do rio foram percorridos, além de uma varredura detalhada em um trecho de 19 km, realizada com apoio da Marinha do Brasil.
Como as crianças sumiram em uma área de mata intensa, com vida animal ativa, outra hipótese levantada foi a de que os irmãos pudessem ter sido atacados enquanto estavam perdidos.
“Essas buscas, elas não nos trouxeram nenhum vestígio de que as crianças tivessem se afogado ou que tivessem sido ali, de repente, devoradas por algum animal que tem na região”, disse o comandante.
Pela falta de evidências, essa suspeita também foi descartada.
Dois meses após a entrevista, o CBMMA segue atuando nas buscas, com equipe reduzida e conforme a mobilização das investigações. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), o caso permanece como prioridade, com atuação contínua das equipes.
Crianças podem ter sido raptadas
Com o esgotamento gradual das possibilidades, a hipótese de sequestro — que nunca foi descartada — ganhou força nas investigações. Ao longo do processo, ao menos duas denúncias de supostas aparições de Ágatha Isabelly e Allan Michael foram registradas.
Os relatos, ocorridos em São Paulo e em Belém, foram apurados e descartados.
Entretanto, segundo fontes ouvidas pela reportagem, uma terceira possível aparição é investigada.
Um pescador da região relatou ter visto duas crianças em um barco, junto a um casal, navegando pelo Rio Mearim, cerca de dois meses após o desaparecimento dos irmãos.
Apesar do relato, não há, até o momento, provas de que as crianças seriam Ágatha e Allan.
Em nota ao Metrópoles, a SSP-MA informou, por meio da Polícia Civil, que o inquérito segue aberto.
“A Polícia Civil continua com os trabalhos investigativos, conduzidos por comissão especialmente constituída para esse fim, não sendo possível, até o momento, apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas”, diz o texto.
Hipóteses avaliadas
- Uma das possibilidades seria que as crianças pudessem estar perdidas na mata. No entanto, toda a área foi vasculhada e não foram achados indícios da presença delas
- Também foi descartada a hipótese delas terem caído no Rio Mearim. Mais de 180 km do rio foram percorridos, além de uma varredura detalhada em um trecho de 19 km
- Outra hipótese levantada foi a de que os irmãos pudessem ter sido atacados enquanto estavam perdidos, que também foi descartada
- Com isso, a possibilidade de sequestro — que nunca foi descartada — ganhou força nas investigações.
Dor que não passa
Para a mãe dos irmãos, Clarice Cardoso, o tempo não ameniza a angústia.
“Deixei eles banhados, o cabelo da minha boneca penteadinho. Já tinham lanchado. Em poucas horas, minha vida desabou”, relatou nas redes sociais, ainda em março.
No desabafo, Clarisse expôs o desgaste emocional diante da ausência de respostas. “Estou com o psicológico abalado, cansada de tanto imaginar. Meu Deus, o que aconteceu com meus filhos? Me dá um sinal. Onde estão meus filhos?”.
A avó, Francisca Cardoso, também descreveu o impacto físico e emocional do desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael.
“Passa muita coisa na minha cabeça. Coisas boas e ruins. Ainda penso coisas boas porque eles não foram encontrados na mata. Eu creio que estão vivos, com alguém. Tenho muita fé que vão ser encontrados”, afirmou a mulher quando os netos completaram 52 dias sumidos.
Na época, Francisca chegou a fazer um apelo direto: “Se alguém ver [as crianças], não tenha medo. Denuncie. O que a gente mais quer é encontrar eles. A gente só quer abraçar.”






















