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Brasil

Caso Bacabal: crianças ignoraram alerta do tio antes de sumir na mata

Primo de 8 anos foi encontrado sozinho após três dias na floresta. Buscas pelos irmãos entram na terceira semana

19/01/2026 20:09, atualizado 19/01/2026 20:42
Arquivo pessoal
Crianças desaparecidas em Bacabal

As crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), no dia 4 de janeiro, após ignorarem o alerta de um tio sobre o perigo de andar na mata.

De acordo com o relato de Anderson Kauan, primo de 8 anos dos irmãos que também se perdeu, os três se sumiram após saírem em busca de um pé de maracujá.

As crianças chegaram a ser advertidas pelo tio, que os mandou voltar para casa. Apesar do aviso, as crianças seguiram adiante e entraram na mata por uma rota alternativa, de floresta mais fechada.

Ao Metrópoles, o delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, afirmou que a estimativa é de que as crianças tenham permanecido juntas por pelo menos duas noites.

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Nesse período, Ágatha Isabelly, Allan Michael e Anderson Kauan se abrigaram em um local conhecido pelos moradores da região como “casa caída”, uma cabana abandonada no meio da mata.

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Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4
Crianças desaparecidas em Bacabal
Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada
Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada
Bacabal: cães farejadores seguiram rastros das crianças até o rio
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4
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Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4

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Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada

Divulgação/SSP-MA
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No terceiro dia de desaparecimento, no entanto, Anderson teria decidido seguir sozinho pela mata. Segundo o depoimento, os dois mais novos estavam cansados e queriam parar de caminhar. “[Ele] queria achar a saída. Estava perdido”, explicou o delegado. Esse foi o momento em que os três se separaram.

Anderson foi encontrado por um carroceiro em um matagal no dia 7 de janeiro, a cerca de 4 quilômetros do local onde desapareceu, sem roupas e com sinais de fraqueza. O menino chegou a afirmar que os dois primos estavam “mais à frente”, mas o local onde as crianças estariam não foi identificado pelas autoridades.

Até o momento, a polícia não conseguiu estimar por quanto tempo ele caminhou pela mata antes de ser encontrado.

Martins detalhou ainda que Anderson apresenta momentos de “apagão de memória” e não consegue descrever toda a situação. “Há partes em que ele não consegue situar onde estava no meio da mata e também não consegue repassar com precisão o lapso temporal”, afirmou.

Força-tarefa

As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael entram na terceira semana e mobilizam mais de 500 pessoas, entre forças federais, estaduais, apoio interestadual e voluntários. A Marinha do Brasil passou a atuar no Rio Mearim com um sonar que permite mapear o fundo e a coluna d’água, mesmo em baixa visibilidade. Na mata, as equipes já percorreram mais de 3.200 km² — cerca de 450 mil campos de futebol.

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que todas as hipóteses seguem sendo investigadas. Possibilidades de sequestro e violência sexual, entretanto, teriam sido descartadas após exames em Anderson não indicarem abuso.