O que torna tão difícil a solução do caso das crianças de Bacabal

Quase um mês após o sumiço, buscas já percorreram mata e rio sem encontrar vestígios, enquanto dúvidas e fake news dificultam investigação

atualizado

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Foto colorida dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA) - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA) - Metrópoles - Foto: Arquivo pessoal

Quase um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, respectivamente de 6 e 4 anos, em Bacabal (MA), as buscas e as investigações seguem sem respostas concretas. Apesar da mobilização de uma força-tarefa que inclui policiais civis e militares, bombeiros, mergulhadores, cães farejadores e equipes especializadas, nenhum vestígio das crianças foi encontrado até o momento.

O caso reúne uma combinação de fatores que torna a operação uma das mais complexas já registradas na região, que envolvem desde o terreno hostil até dúvidas centrais ainda não esclarecidas, que dificultam a definição do rumo das buscas.

Terreno hostil e pouca referência

A área onde as crianças desapareceram é extensa e de difícil navegação. O terreno mistura mata fechada, áreas de pastagem, lagos e açudes, além de poucas trilhas naturais. O relevo irregular dificulta o deslocamento das equipes e amplia a possibilidade de desorientação.

Durante as buscas, policiais encontraram serpentes e outros animais silvestres, o que evidencia o risco natural do ambiente.

Outro agravante é a ausência de energia elétrica na região, o que limita operações noturnas e dificulta a localização de sinais de presença humana.

Além disso, caçadores locais costumam instalar armadilhas para animais, aumentando o risco para qualquer pessoa que circule pela mata.

Buscas fluviais e subaquáticas esgotadas

Na última terça-feira (22/1), as buscas aquáticas no Rio Mearim foram encerradas. Cães farejadores chegaram a seguir o rastro das crianças até as margens do rio, levantando a hipótese de que elas poderiam ter entrado na água.

Durante cinco dias, equipes da Marinha, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos realizaram varreduras ininterruptas. Ao todo, cerca de 19 quilômetros do rio foram vistoriados, sendo cinco quilômetros analisados de forma minuciosa.

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Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4
Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada
Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada
Bacabal: cães farejadores seguiram rastros das crianças até o rio
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4
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Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4

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Crianças desaparecidas em Bacabal passaram noite em cabana abandonada

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Bacabal: cães farejadores seguiram rastros das crianças até o rio
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Bacabal: cães farejadores seguiram rastros das crianças até o rio

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Crianças desaparecidas em Bacabal
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Crianças desaparecidas em Bacabal

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Onze pontos considerados suspeitos chegaram a ser investigados por mergulhadores, mas nenhuma evidência foi encontrada. Segundo o capitão Simões, da Marinha do Brasil, a possibilidade de que as crianças estejam naquele trecho foi descartada.

“Na parte fluvial e subaquática, esgotamos essa possibilidade”, afirmou o capitão.

Centenas de quilômetros percorridos pela mata

Em terra, o trabalho também é extenso. O Exército Brasileiro informou que cerca de 200 quilômetros de áreas de mata e regiões de difícil acesso já foram percorridos desde o desaparecimento.

Mesmo com a dimensão da operação, nenhum objeto, roupa ou rastro recente foi localizado.

Investigação segue aberta

Paralelamente às buscas, a Polícia Civil do Maranhão mantém um inquérito em andamento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, nenhuma hipótese foi descartada até o momento.


Cinco dúvidas centrais que dificultam a definição do rumo das buscas:

  • Onde estão Ágatha Isabelly e Allan Michael? Após quase três semanas de buscas, não há confirmação se as crianças permanecem na mata, se chegaram ao Rio Mearim ou se deixaram a área inicialmente delimitada. Todas as frentes de busca avançam sem qualquer indício concreto do paradeiro dos irmãos.
  • Onde ocorreu exatamente a separação do primo? Anderson Kauan, de 8 anos, relatou à polícia que o trio se separou no terceiro dia, quando decidiu seguir sozinho pela mata. No entanto, os “apagões de memória” apresentados pelo menino impedem a identificação precisa do local da separação. A informação é o ponto-chave para definir o raio das buscas.
  • O que aconteceu após a última noite na “casa caída”? A polícia estima que as crianças tenham permanecido juntas por pelo menos duas noites em uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”. O que ocorreu a partir dali segue desconhecido. Não se sabe qual caminho Ágatha e Allan seguiram depois, se continuaram andando ou se buscaram outro tipo de abrigo.
  • A área delimitada de buscas corresponde ao local em que as crianças estão? Sem a confirmação do ponto de separação nem do trajeto percorrido após a última noite juntos, não há certeza de que a extensa área já varrida corresponda, de fato, ao local em que Ágatha e Allan ficaram pela última vez.
  • Por que nenhum vestígio foi encontrado até agora? Apesar da mobilização de bombeiros, militares, mergulhadores, sonar e varreduras terrestres e fluviais, nenhum objeto, roupa, rastro ou sinal recente das crianças foi localizado. A ausência total de vestígios, diante da dimensão da operação, é um dos aspectos mais intrigantes do caso. Outro ponto que dificulta o encontro de vestígios é o fato de que este é um período chuvoso na região. Desta forma, rastros e outras pistas podem ter sido apagadas pela chuva.

Fake news atrapalham investigações

O desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael também passou a ser alvo de uma série de informações falsas que mobilizaram equipes policiais e precisaram ser oficialmente desmentidas, desviando esforços e ampliando a angústia da família.

Em 26/1, o delegado Ederson Martins, responsável pela investigação em Bacabal, negou rumores que circulavam nas redes sociais de que a mãe e o padrasto teriam vendido as crianças por R$ 35 mil. Ao Metrópoles, ele afirmou que o casal não é alvo do inquérito e que, até o momento, não há indícios de envolvimento deles em crimes contra os irmãos.

No domingo (25/1), outra denúncia levou policiais a um hotel no bairro da República, em São Paulo, após relatos de que as crianças teriam sido vistas no local. A informação, no entanto, foi descartada após verificação.

Na semana anterior, a Polícia Civil do Pará também investigou uma denúncia de que os irmãos estariam acompanhados de uma mulher em um hotel na cidade de Água Azul do Norte, a cerca de 692 quilômetros do ponto onde desapareceram. A suspeita também não se confirmou.

Em publicação recente, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, alertou que a disseminação de notícias falsas prejudica as investigações, aumenta o sofrimento dos familiares e pode configurar crime.

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