Crianças desaparecidas em Bacabal: comandante revela hipóteses descartadas. Vídeo
Em entrevista ao Metrópoles, o comandante do CBMMA, Célio Roberto, destacou quais hipóteses sobre o desaparecimento já foram descartadas
atualizado
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Após mais de dois meses de operações de busca pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, — que desapareceram em 4 de janeiro na comunidade quilombola, em São Sebastião dos Pretos —, diversas hipóteses foram levantadas sobre o paradeiro das crianças. Sequestro, ataque animal e afogamento foram algumas das linhas investigadas.
Em entrevista ao Metrópoles, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), Célio Roberto, que lidera as operações de busca, revelou quais hipóteses já foram descartadas.
Perdidos na mata?
Segundo o comandante, a força-tarefa com mais de 300 pessoas fez uma varredura científica, que foi dividida em 45 quadrantes de 300 metros cada na extensa região de mata. Diante da mobilização e da inspeção completa na área, o comandante crava que as crianças não estão mais perdidas na mata.
“Perdidos na mata, eu posso cravar que não estão. Nós palmilhamos ali cada espaço da mata, inclusive, fizemos isso de modo científico, distribuindo ali, por quadrantes, os homens do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, do Exército, que estiveram no terreno, eles usaram o aplicativo que nós temos para fazer esse controle e você não ter retrabalho. Nós tínhamos ali, em média, 300 pessoas por dia fazendo ali as buscas conosco”, disse.
O comandante enfatiza que as buscas foram criteriosas e assertivas ao verificar cada metro quadrado da mata em que as crianças se perderam.
Devorados por animais?
As crianças sumiram em uma área de mata intensa, com presença de vida animal. Com isso, uma das hipóteses levantadas é que os irmãos pudessem ter sido atacados enquanto estavam perdidos.
No entanto, o comandante Célio Roberto garante que a hipótese está descartada. Se algum animal selvagem tivesse atacado as crianças, restos mortais teriam sido encontrados nas extensas operações terrestres executadas, o que não aconteceu.
Afogamento?
Uma das principais hipóteses investigadas pela operação de busca era que os irmãos tivessem caído no rio e morrido afogados.
Cães militares farejadores confirmaram que as crianças estiveram na “casa caída” — uma cabana abandonada localizada na área de mata de Bacabal. A partir do local, os animais seguiram o rastro de Isabelly e Allan e chegaram à margem do Rio Mearim.
Com isso, uma avançada operação de busca subaquática, liderada pela Marinha do Brasil (MB), procurou pelas crianças dentro do corpo d’água.
As buscas ocorreram de forma ininterrupta durante cinco dias e abrangeram cerca de 19 quilômetros do Rio Mearim. Desse total, cinco quilômetros foram analisados de maneira criteriosa e minuciosa.
Apesar do esforço das equipes aquáticas e subaquáticas, nenhum indício foi encontrado. “Na parte fluvial e subaquática, esgotamos a possibilidade de as crianças ou vestígios estarem neste trecho do rio, que era considerado o de maior probabilidade”, afirmou o capitão Simões, da Marinha do Brasil, no encerramento das buscas por água.
Pela falta de vestígios das crianças, o comandante Célio Roberto diz que a hipótese também foi descartada.
“É preciso fazer a busca imaginando que o pior que pode ter acontecido, mas essas buscas, elas não nos trouxeram nenhum vestígio de que as crianças estivessem se afogadas ou que tivessem sido ali, de repente, devoradas por algum animal que tem na região. Então, assim, continuamos com as buscas”, disse.
Sequestro?
A hipótese que os familiares apostam é que as crianças foram sequestradas e estão longe de Bacabal. Francisca Cardoso, avó das crianças, fez um apelo sobre o caso.
“Eu creio que no mato eles não estão mais. Alguém levou eles daqui”, afirmou Francisca.
Na última sexta-feira (27/2), a avó e o marido dela foram atropelados em Bacabal. A mulher sofreu fraturas no punho e joelho, enquanto José Emídio, teve fratura exposta no joelho.
O casal estava em uma moto e foi atingido por uma caminhonete branca, que não parou para prestar socorro.
Após o atropelamento, Francisca afirmou que o ocorrido não foi um acidente e que teria acontecido de forma proposital e poderia ter relação com o sumiço das crianças.
Desde que o caso ganhou repercussão, ao menos duas denúncias foram recebidas. Os denunciantes afirmaram ter visto crianças com características semelhantes aos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael,
Um dos casos foi em Belém e o outro em São Paulo. A polícia investigou as denúncias, mas descobriu que não se tratavam dos meninos de Bacabal.
Mesmo assim, a hipótese do sequestro ainda não foi descartada.
Uma das crianças foi encontrada
Ágatha Isabelly e Allan Michael estavam com um primo quando desapareçam. Anderson Kauan, de 8 anos, foi encontrado quatro dias depois. Ele estava sem roupas e com sinais de fraqueza, a 4 km de distância do ponto onde sumiu.
Ao Metrópoles, o comandante Célio Roberto revelou o motivo de Kauan estar nu no momento em que foi encontrado.
“O Kauan perdeu cerca de 8 kg. Ele relata que, por isso, teve de tirar a roupa. Ele realmente andou na mata molhado, porque ele passou em um charco. Ele passa por esse charco, se molha, a roupa começa a cair, e ele tira o calção e a camisa e põe ali em um determinado local”, detalhou Célio.













