Lula sobre tarifaço: "Nunca encontramos reciprocidade na negociação"
Segundo o presidente, o governo brasileiro não encontrou reciprocidade nas negociações com os Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (22/7), que o governo brasileiro nunca encontrou reciprocidade nas negociações com os Estados Unidos (EUA) com relação às tarifas de 25% impostas pelo governo norte-americano.
“Nós estamos na mesa de negociação, propusemos a mesa de negociação, já mandamos vários documentos e várias propostas de negociação. Eu, pessoalmente, fui aos EUA, ficamos 3 horas discutindo negociação. [Os ministros] Márcio, Alckmin, o Dario, e o Haddad, quando era ministro, fizeram várias tentativas de negociar e a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, disse durante coletiva de imprensa para detalhar a nova fase do Plano Brasil Soberano, que vai liberar R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento.
De acordo com ele, o Brasil não vai sair da mesa de negociação, mas não deve se curvar ao governo norte-americano e deve atuar para abrir novos mercados.
“Se [os EUA] quiserem participar, participe. Se quiserem mandar e-mail, mandar tweet, que mande. Nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação”, afirmou.
O presidente frisou ainda que “nós não vamos ficar chorando o produto que a gente não vendeu para eles porque nós vamos procurar outros compradores”.
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Ver todasA nova fase do Plano Brasil Soberano prevê a destinação de R$ 18,5 bilhões em financiamento para empresas afetadas pelo tarifaço. Exportadoras impactadas por sobretaxas impostas anteriormente e por conflitos internacionais, além de setores estratégicos, também serão contempladas.
As taxas de juros para as operações variam de 3% a 9,80%. O governo criará um comitê que vai definir as cotas de financiamento e as condições de adesão ao plano.
Tarifaço contra produtos brasileiros
Os EUA decidiram, no dia 15 de julho, taxar as exportações brasileiras em 25% após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes norte-americanos. No entanto, o diálogo entre as equipes não resultou em reversão das taxas. O governo do Brasil se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
Lista de exceção
Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceções para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo norte-americana, buscando evitar um aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025.
Café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço.
Veja os produtos que serão impactados:
- Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
- Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
- Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
- Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
- Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.



