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Mundo

Tarifaço: EUA alega que desmatamento dá "vantagem" comercial ao Brasil

Chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA participou de sessão no Senado americano para dar explicações sobre novo tarifaço

22/07/2026 13:14, atualizado 22/07/2026 13:56
Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images
Jamieson Greer

O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, participou de sessão do comitê de finanças do Senado norte-americano, nesta quarta-feira (22/7), que debateu o novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil. Na audiência, ele alegou que o desmatamento florestal do Brasil deu aos agricultores brasileiros “vantagem” competitiva sobre os americanos. 

O USTR foi o órgão responsável pela investigação dos EUA que resultou em tarifas de 25% a produtos brasileiros e diversos outros países. A medida entrou em vigor nesta quarta.

“Quanto ao Brasil, tivemos reclamações por anos, inclusive de membros deste comitê, sobre o desmatamento florestal, que dava aos agricultores brasileiros uma vantagem sobre os nossos. Então tomamos a medida com base na Seção 301 , com uma postura firme”, respondeu Greer, quando questionado sobre a política tarifária de Donald Trump.

O governo dos EUA justificou as tarifas extras contra o Brasil a partir de investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração concluiu que o Brasil adota “práticas comerciais desleais”, citando o Pix e o desmatamento florestal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no mês passado, rebateu as acusações do governo americano sobre o desmatamento e divulgou dados que demonstram a redução nas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado brasileiro. O governo brasileiro também negou que o Pix seja vantagem desleal contra empresas americanas, como citado na investigação do USTR.

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Diversos membros da comissão questionaram a efetividade da política comercial de Trump. O senador democrata Michael Bennet afirmou que a excessividade de tarifas fez com que os EUA perdessem para o Brasil a liderança do comércio global agrícola.

“A realidade é que estamos perdendo a liderança global da agricultura para o Brasil como resultado da falha das políticas de comércio relativas à China. E a punição que eles decidiram fazer, é uma punição contra nossos fazendeiros, e a liderança americana da agricultura. Esse é o resultado dessa política de comércio”, disse Bennet a Greer.

O novo tarifaço contra o Brasil

O novo tarifaço foi anunciado pelo USTR, que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix.


Saiba nova regra sobre transição de produtos

  • Segundo o documento, a sobretaxa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir desta quarta.
  • No entanto, haverá regra de transição: produtos embarcados antes dessa data poderão entrar no mercado norte-americano sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até 29 de julho.
  • Apesar do endurecimento da medida, o governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos. A intenção é mitigar danos à economia dos EUA e evitar rupturas em cadeias de suprimentos essenciais.
  • Entre os produtos, estão alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.
  • A tarifa de 25% será cobrada além das alíquotas de importação já existentes.
  • Na prática, um produto que hoje paga 5% de imposto passará a recolher 30% para entrar nos EUA.

Veja os principais produtos isentos da sobretaxa

Agropecuária

  • Carne bovina (cortes frescos, refrigerados, congelados e processados);
  • Café em grão, torrado e solúvel;
  • Laranja, suco congelado e suco não congelado;
  • Frutas como açaí, banana, abacaxi, goiaba, manga e melão;
  • Mel orgânico, peixes e crustáceos.

Mineração e energia

  • Petróleo bruto e derivados;
  • Ferro-gusa e sucata de aço;
  • Hidróxido de alumínio;
  • Minério de ferro, nióbio, grafite, caulim e gás natural.

Tecnologia, indústria e saúde

  • Aviões, helicópteros, drones, motores e peças para aeronaves;
  • Computadores, notebooks, celulares, monitores e semicondutores;
  • Vacinas, insulina, antibióticos, plasma e insumos farmacêuticos;
  • Fertilizantes, ureia e sulfato de amônio.

Produtos que serão atingidos pela tarifa de 25%

Biocombustíveis e químicos

  • Etanol de cana-de-açúcar;
  • Outros biocombustíveis;
  • Celulose branqueada (exceto categorias isentas).

Indústria pesada

  • Aço e alumínio semiacabados;
  • Máquinas agrícolas;
  • Equipamentos de mineração;
  • Transformadores elétricos de grande porte.

Bens de consumo

  • Calçados;
  • Móveis de madeira;
  • Pisos, revestimentos e rochas ornamentais;
  • Vestuário, tecidos e peças de roupa.