Lula faz reunião ministerial em meio a pré-campanha e crise com EUA
Governo busca acelerar anúncios e unificar comunicação antes de restrição eleitoral. Tensão com os Estados Unidos também deve estar em pauta
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comanda na manhã desta quarta-feira (3/6) a primeira reunião ministerial após as mudanças que definiram a equipe que permanecerá no governo durante o período eleitoral. A agenda ocorre em meio à pré-campanha e marcada pelos mais recentes pontos de tensão com o governo de Donald Trump.
A quatro meses das eleições, o encontro deve ser marcado por cobranças sobre entregas das pastas, alinhamento político e estratégias de comunicação do governo antes do início do período de restrições eleitorais.
Ministros afirmam que a reunião, que não foi originalmente convocada para esse fim, também deve abordar as recentes crises diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos.
Membros do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o presidente está preocupado em alinhar e definir detalhes de ações dos ministérios antes do chamado defeso eleitoral — o período entre julho e outubro em que a legislação proíbe inaugurações, publicidades e anúncios de obras, pronunciamentos e transferências de recursos.
O petista também tem demonstrado preocupação em como as iniciativas do Planalto têm sido percebidas pela população e com o ritmo de entregas até julho. Na última sexta (29/5), Lula fez menção às restrições e disse que o governo está “muito em cima” para cumprir as regras.
“Nós temos um problema que a gente só pode anunciar coisa nova até o dia 3 de julho, a gente está muito em cima porque a legislação eleitoral impede que a gente faça novos contratos a partir de 3 de julho”, disse.
O encontro desta quarta foi marcado antes das recentes decisões do governo dos Estados Unidos. Ministros afirmam, porém, que o tema também deverá entrar em pauta.
Na última semana, Washington anunciou que passará a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas a partir desta sexta (5/6).
Já nessa segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, da sigla em inglês) recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Nos dois casos, o Planalto reagiu associando as medidas à influência da família Bolsonaro. Sobre a classificação das facções criminosas, o governo brasileiro afirmou que colaborações internacionais são bem-vindas, mas declarou que não aceitará o “uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”.
Em relação às tarifas comerciais, o governo Lula manifestou “indignação”, classificou o relatório do USTR como uma “tentativa de ingerência” motivada por integrantes da família Bolsonaro e destacou que o “Brasil se reserva o direito de recorrer” a instrumentos de reciprocidade.
Restrições nas eleições
- A legislação eleitoral estabelece restrições entre julho e outubro — conhecido como defeso eleitoral — para evitar uso da máquina pública na campanha.
- Candidatos ficam proibidos de participar de inaugurações de obras públicas no período.
- Shows artísticos financiados com recursos públicos não podem ser contratados nos três meses anteriores à eleição.
- Transferências voluntárias da União, inclusive emendas, ficam restritas, salvo em casos de emergência ou calamidade.
- Publicidade institucional e pronunciamentos em cadeia de rádio e TV são vedados, com exceção de situações urgentes autorizadas pela Justiça Eleitoral.
Estratégias
A reunião ministerial também deve servir para alinhar estratégias de comunicação capazes de ampliar a visibilidade dos programas federais e colocar toda a equipe “na mesma página”, unificando o discurso político e a defesa do terceiro mandato.
O último encontro de Lula com a equipe ocorreu no fim de março, em clima de transição. Na ocasião, participaram tanto os auxiliares que deixavam os cargos para disputar as eleições quanto os novos secretários que assumiriam as funções.
Pesquisas internas do PT e levantamentos públicos recentes indicaram melhora no desempenho eleitoral de Lula, coincidindo com o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — alvo de denúncias envolvendo pedidos de dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — e com o anúncio de uma agenda econômica de apelo popular.
Nos últimos meses, o Planalto apostou em uma série de medidas para impactar diretamente o bolso do eleitor. Entre as iniciativas recentes estão o Novo Desenrola Brasil, voltado para a renegociação de dívidas, um pacote de investimentos em segurança pública e ações para conter a alta dos combustíveis.
O governo também acabou com a tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”, lançou um programa de subsídio para a compra de carros novos por motoristas de aplicativo, além de criar uma linha de financiamento para reformas habitacionais e novas condições de crédito no programa Minha Casa, Minha Vida.







