Lula cobra telefonema de Trump após proposta dos EUA de taxar o Brasil

Petista afirmou que os dois governos tinham 30 dias para negociar. Em Goiás, Lula também rebateu críticas ao Pix

atualizado

metropoles.com

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Ricardo Stuckert/PR
Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
1 de 1 Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2/6) que aguarda um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para explicar a divulgação de um parecer do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo Lula, os dois haviam acordado um prazo de 30 dias para negociações entre representantes dos dois governos antes de qualquer decisão. Trump e o petista se encontraram no início do mês passado, em Washington, capital dos EUA.

A declaração foi feita durante evento em Catalão (GO), no qual o presidente também criticou as conclusões do relatório americano e saiu em defesa do Pix, um dos alvos do documento. O USTR argumenta que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos colocaria em desvantagem empresas dos Estados Unidos que oferecem serviços semelhantes.

“Estou esperando um telefonema seu [Donald Trump] para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência, porque nós dois combinamos 30 dias — até 15 de julho — para poder ter uma resposta do que nós propusemos”, declarou Lula.

O presidente afirmou ainda que o Brasil não aceita ser tratado como uma “republiqueta de banana” e disse não ter “medo de cara feia”.

“É assim que eu quero que o Trump saiba: nós aqui não temos medo de cara feia. Nós não queremos guerra com ninguém. Queremos paz e queremos ser respeitados. E o Pix é uma invenção brasileira, faz um bem para o povo brasileiro. Então, Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você nem eu. Você me deve uma reunião, e eu devo uma para você porque demos 30 dias para os nossos ministros negociarem”, afirmou.

As falas ocorrem após a divulgação do parecer do USTR, resultado de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação de Trump. O órgão analisou políticas e medidas adotadas pelo governo brasileiro que, na avaliação americana, restringiriam o comércio dos Estados Unidos.

No relatório, o USTR recomenda a imposição da sobretaxa de 25% sob o argumento de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “irrazoáveis”. Entre os pontos mencionados estão decisões da Justiça brasileira e multas aplicadas a empresas americanas de tecnologia, e o Pix.

A eventual aplicação da sanção ainda depende de etapas adicionais do processo, que devem ser concluídas até 15 de julho.

Ao comentar o relatório, Lula afirmou que chegou a sugerir a Trump, durante encontro realizado no início do mês passado, que os Estados Unidos adotassem um sistema semelhante ao Pix.

“O governo americano, em uma atitude intempestiva, anunciou o aumento da taxação das coisas brasileiras em 25%, com base em uma mentira. A segunda coisa que fiquei preocupado é porque o Pix assusta eles. Eu falei pro Trump: ‘Ô, cara, em vez de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos EUA. Faça o Pix para nós'”, declarou.

Mais cedo, também em Goiás, Lula associou a iniciativa do USTR à atuação da família Bolsonaro. Segundo o presidente, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teriam atuado para que os Estados Unidos interferissem em assuntos internos do Brasil.

O petista classificou os filhos do ex-presidente como “traidores” e “vendilhões da pátria”. Na semana passada, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, participaram de reuniões com auxiliares de Trump e divulgaram fotos ao lado do presidente americano.

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