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Líder do PDT do Senado desiste de participar da CPMI do INSS

PDT está no centro do escândalo de desvios ilegais em aposentadorias. Vaga deverá ser ocupada pelo PSB

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Senador Weverton Rocha PDT-MA na portaria do Ministério das Comunicações - Metrópoles
1 de 1 Senador Weverton Rocha PDT-MA na portaria do Ministério das Comunicações - Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A bancada do PDT do Senado abriu mão de participar da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar desvios ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O partido se vê no centro do escândalo a respeito dos descontos indevidos realizados por entidades sindicais — esquema revelado pelo Metrópoles —, uma vez que o Ministério da Previdência era comandado pelo presidente do partido, Carlos Lupi, e segue sob domínio da sigla.

Nomes de confiança de Lupi ocupavam cargos de alto escalão no INSS e foram alvo da operação da Polícia Federal deflagrada no fim de abril, incluindo o então presidente do órgão, Alessandro Steffanuto. Ele foi afastado e depois demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Diante da crescente pressão, Lupi deixou o governo em 2 de maio. O Ministério da Previdência, porém, seguiu na alçada do PDT. O secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz, assumiu o cargo de ministro e está responsável por gerir a concessão dos ressarcimentos prometidos por Lula aos aposentados.

As investigações apontam que ao menos R$ 6,3 bilhões foram tirados de aposentadorias sem consentimento de aposentados e pensionistas. O principal operador do esquema, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”, visitou o gabinete do líder da bancada, o senador Weverton (MA), ao menos três vezes. As visitas foram colocadas sob sigilo pelo Senado Federal.

Apesar da negativa da bancada do Senado, o PDT da Câmara vai participar da comissão, representada pelo líder Mario Heringer (MG), escalado como titular. Depois da saída de Lupi do governo, houve um racha entre as bancadas. O PDT da Câmara decidiu sair da base de Lula, enquanto os três senadores da legenda se mantiveram alinhados ao Palácio do Planalto.

O líder do PDT no Senado, Weverton (foto em destaque), foi procurado pelo Metrópoles para comentar o caso, mas não respondeu. O espaço segue aberto.

CPMI começa na próxima semana

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comprometeu-se a instalar a comissão “impreterivelmente” até a próxima semana. O colegiado será comandado pelo senador e líder do PSD, Omar Aziz (AM). A CPMI contará com 16 membros de cada Casa e terá até 180 dias de funcionamento.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para relatar a comissão.

A comissão tem potencial de apresentar um novo flanco de desgaste na popularidade do governo Lula. A CPMI foi articulada por integrantes da oposição ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diante da pressão, governistas passaram a ver a CPMI como inevitável e decidiram aderir à instalação, oficializada em 17 de junho durante a sessão conjunta do Congresso Nacional.

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