STM mantém condenação de 5 militares e 2 civis por desvio de R$ 25 mi
Quadrilha é apontada como responsável por fraudes em convênios firmados entre Instituto Militar de Engenharia e Dnit

Foi mantida, pelo Superior Tribunal Militar (STM), a condenação de cinco oficiais do Exército e dois civis acusados de integrarem esquema que resultou em desvio milionário de dinheiro público. A quadrilha é apontada como responsável por fraudes em convênios firmados entre o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Segundo a Corte militar, os valores atualizados passam dos R$ 25 milhões. Os condenados fraudaram, ao todo, 88 licitações entre 2003 e 2005. Denunciado pelo Ministério Público Militar (MPM), o esquema desenvolvido pelos criminosos consistia na criação de empresas de fachada que eram subcontratadas pelo IME para atuar em obras de infraestrutura rodoviária.
O grupo criminoso era liderado por um coronel e um major do Exército. Ambos receberam condenação de 16 anos de reclusão. Também integravam a quadrilha dois coronéis, um capitão e dois civis.
A condenação decorre de inquérito militar instaurado pelo MPM em maio de 2010, com finalidade de apurar fraudes nas licitações e contratos dos órgãos. A investigação foi aberta após denúncias de O Globo. Em 2009, em investigação paralela, a Procuradoria de Justiça Militar do Rio de Janeiro já havia instaurado apuração, diante de informações recebidas anonimamente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs denunciantes encaminharam os indícios de irregularidades por meio de e-mails, intitulados de “Contagem Regressiva” e “A verdade nos libertará”.
Atuação em grupos
Ainda de acordo com as apurações, o primeiro grupo era formado pelos integrantes da coordenação dos convênios Dnit/IME, constituída por um coronel, do quadro de engenheiros militares, coordenador geral e técnico, e um major, do quadro complementar de oficiais, coordenador administrativo.
O segundo grupo era composto por empresários, laranjas e um contabilista. O terceiro grupo, por sua vez, tinha integrantes da administração do IME: um tenente-coronel, ordenador de despesa e depois tesoureiro; um tenente-coronel, tesoureiro e depois presidente de comissão de licitação e almoxarife, um capitão, chefe do almoxarifado e integrante da comissão permanente de licitações e um tenente-coronel, ordenador de despesa.
Peritos constataram inúmeras irregularidades. Em 44 dos 74 dos convites, o valor adjudicado foi superior ao estimado, e 56 convites foram pagos com valores acima dos valores adjudicados, acarretando o excesso de valor pago em relação ao adjudicado. Em todos os 88 procedimentos licitatórios houve pagamentos antecipados, majorados e sem a devida contraprestação.
Com informações do STM
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