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Brasil

Empresários de Brasil e EUA pedem mais tempo para negociar tarifaço

Entidades empresariais dos dois países defendem um acordo para evitar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros antes do fim das negociações

Reprodução/FGV
Imagem ilustrativa de carga embarcada do Brasil para outros países - Metrópoles

Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos intensificaram a pressão para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros e pedem mais tempo para negociações entre os dois governos.

Em carta enviada nesta quinta-feira (9/7) a representantes dos dois países, a Amcham, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce defenderam a construção de um acordo de curto prazo para encerrar de forma negociada a investigação conduzida pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301.

O documento foi encaminhado, no Brasil, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, a carta foi enviada ao representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio.

As entidades afirmam que uma solução negociada é o caminho mais eficaz para fortalecer a competitividade e ampliar as oportunidades econômicas entre os dois países, além de evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores.

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Como prioridade imediata, o setor empresarial propõe que as negociações contemplem a ampliação do acesso a mercados para produtos industriais, bens de capital, infraestrutura voltada à inteligência artificial e data centers, além do fortalecimento da cooperação regulatória em setores como o automotivo, farmacêutico, saúde e equipamentos médicos.

A carta também sugere a ampliação da cooperação em minerais críticos, a aceleração da análise de patentes no Brasil, o reforço ao combate à pirataria, a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas para transmissões eletrônicas e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC.

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Jamieson Greer é representante comercial dos Estados Unidos
Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA
Marco Rubio e Mauro Vieira em Washington
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Marco Rubio e Mauro Vieira em Washington

Divulgação/Redes Sociais
Jamieson Greer é representante comercial dos Estados Unidos
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Jamieson Greer é representante comercial dos Estados Unidos

Divulgação/Casa Branca
Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA
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Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA

Reprodução/Eduardo Bolsonaro

Segundo as entidades, esse entendimento inicial deve abrir caminho para uma agenda mais ampla envolvendo segurança energética, comércio eletrônico, inovação, descarbonização industrial, agricultura, transportes e fortalecimento das cadeias produtivas.

“O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, afirma a carta.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, reforçou a necessidade de uma solução rápida diante da proximidade da decisão final do governo norte-americano.

“Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirmou.

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Decisão dos EUA se aproxima

O posicionamento das entidades ocorre horas após Jamieson Greer afirmar que a decisão sobre a investigação comercial contra o Brasil será anunciada “muito em breve”.

Em entrevista à Fox Business, o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) disse que mantém conversas frequentes com o governo brasileiro, mas reconheceu que ainda existe “muita distância” entre os dois lados nas negociações.

Na terça-feira (7/7), o USTR concluiu a fase de audiências públicas da investigação da Seção 301, que apura supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Ao fim do processo, o órgão recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso seja aprovada, a sobretaxa deverá entrar em vigor em 15 de julho.

Nos bastidores, tanto autoridades brasileiras quanto norte-americanas admitem dificuldades para alcançar um entendimento. Enquanto integrantes do governo brasileiro afirmam que Washington não deixou claro quais concessões espera de Brasília, negociadores dos EUA avaliam que o Brasil tem demonstrado “pouca ambição” para avançar em um acordo antes do fim do prazo.