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Justiça

Deltan critica proposta do BC sobre parentes de políticos: "Absurda"

Banco quer excluir familiares de lista de vigilância obrigatória e por fim à exigência de notificar Coaf sobre transações acima de R$ 10 mil

24/01/2019 19:01, atualizado 24/01/2019 19:02
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Vladimir Platonow/Agência Brasil
O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol

Em uma série de tuítes, o coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba (PR), procurador Deltan Dallagnol, se mostrou indignado com a proposta do Banco Central de “afrouxar a proteção anticorrupção” – referindo-se à possível exclusão de parentes de políticos das listas de vigilância obrigatória de bancos. Para ele, a medida é “absurda” e facilita crimes de lavagem de dinheiro por familiares de corruptos.

“A Lava Jato é um de muitos casos em que aconteceu isso. No caso envolvendo o parlamentar do PP [Partido Progressista] Pedro Correa, por exemplo, o juiz registrou, na condenação, que as propinas foram lavadas com o auxílio de seu filho”, disse o procurador.

Mais cedo, nesta quinta-feira (24/1), o Banco Central divulgou que quer mudar duas normas em vigor desde 2009 que visam combater esse crime. A primeira é o fim da exigência de notificação ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) de transações bancárias acima de R$ 10 mil. A segunda é a exclusão de parentes de políticos das listas de vigilância obrigatória de bancos.

Deltan afirmou ainda que o uso de contas de parentes para realizar transições financeiras devem ser analisadas com prioridade. “O uso de familiares para movimentação e a fim de figurarem como proprietários nominais de bens, valores e empresas, merece destaque em separado em razão da sua frequência, ainda que os familiares possam ser enquadrados em outras categorias, como a dos laranjas e testas de ferro”, pontuou.

Veja o posicionamento do coordenador da Lava Jato: