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Brasil

Inflação: queda no índice de preços foi embalada por bônus na conta de luz

Distribuição de R$ 767,2 milhões na conta de energia teve contribuição importante. Transportes e alimentação também registraram queda

11/09/2026 10:17
Vinicius Schmidt/Metropoles
Imagem colorida de caixa de supermercado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de -0,32% em agosto deste ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quatro dos nove grupos pesquisados registraram queda nos preços cobrados ao brasileiro.

O índice foi puxado principalmente por habitação e transportes. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11/9). O bônus de R$ 767,2 milhões na conta de energia teve contribuição importante.

O IBGE pesquisa a inflação dividida em nove grupos distintos. Do total, quatro tiveram queda e os outros cinco apresentaram alta. O peso para cada grupo no IPCA é diferente, pois o instituto considera que alguns itens representam partes maiores nos orçamentos familiares.

Bônus de Itaipu

Mocinho do mês, o setor de habitação representou a maior variação e impacto, com retração de -1,87%, puxado pela energia elétrica residencial. O item recuou 7,63% no mês. O índice verificado em habitação no mês é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real (1994).

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A queda na conta de energia foi motivada pelo Bônus de Itaipu. O desconto ocorre após resultado positivo da chamada Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu, mecanismo que reúne receitas e custos da operação da hidrelétrica.

No fim de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que iria distribuir cerca de R$ 767,2 milhões. A retração na conta de energia ocorreu mesmo diante da aplicação da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.

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No acumulado de 12 meses, a inflação registra alta de 4,22%. No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a agosto do IPCA, a elevação corresponde a 3,11%.

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Mais mocinhos

Os outros dois grupos que ajudaram a puxar a inflação mensal para o resultado negativo foram transportes (-0,86%), alimentação e bebidas (-0,34%).

O recuo em alimentação, com patamar de -0,34%, representou o terceiro maior impacto em agosto, com participação de -0,07 ponto percentual (p.p.). O destaque foi o subgrupo alimentação no domicílio, com retração de -0,61%.

Veja as principais quedas:

  • batata-inglesa (-19,89%);
  • cenoura (-11,22%);
  • cebola (-11,07%);
  • tomate (-10,94%);
  • ovo de galinha (-4,15%); e
  • café moído (-1,86%).

Mesmo com o resultado negativo no subgrupo, houve altas, casos de: leite longa vida (1,78%), frutas (0,84%) e carnes (0,61%).

E os vilões

A alta do grupo despesas pessoais, com patamar de 1,30% e impacto de 0,13 ponto percentual, reduziu a queda no índice geral. O IBGE destacou que o impulso veio do preço do cigarro, com elevação de 19,59%, representando o maior impacto positivo no resultado do mês (0,11 p.p.).

Veja a variação do IPCA por grupos:

  • Alimentação e bebidas: -0,34%;
  • Habitação: -1,87%;
  • Artigos de residência: 0,64%;
  • Vestuário: 0,12%;
  • Transportes: -0,86%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
  • Despesas pessoais: 1,30%;
  • Educação: 0,47%;
  • Comunicação: -0,09%.