Para analistas, inflação abaixo do esperado favorece corte de juros
IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, ante expectativa de recuo de 0,30% do mercado. Baixa ajuda na redução da Selic, fixada em 14% ao ano pelo BC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, caiu 0,40% em agosto. A mediana da expectativa dos analistas, contudo, era de 0,30%.
O recuo maior do que o esperado, avaliam os agentes econômicos, ajuda a manter a perspectiva de corte da taxa básica de juros do país, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), nos dias 15 e 16 de setembro.

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Ver todasPablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), considera que o melhor dado do IPCA-15, divulgado nesta quarta-feira (26/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), diz respeito ao núcleo da inflação, que elimina os fatores de maior volatilidade do índice.
“A média dos núcleos subiu apenas 0,23%”, diz Spyer. “Tivemos nova deflação nos alimentos no domicílio e também nos preços livres. O índice de difusão subiu a 52%, mas ainda é um nível bastante confortável.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesFatores pontuais
O economista observa que boa parte da deflação, porém, resultou de fatores pontuais. Nesse caso, contam, principalmente, a energia elétrica, com o bônus de Itaipu, além da queda das passagens aéreas e dos combustíveis.
“Para o Banco Central, o resultado é positivo e reduz um pouco a pressão sobre o cenário inflacionário”, afirma. “Mas ainda é cedo para comemorar uma vitória definitiva contra a inflação.”
Efeito positivo
O economista acrescenta que o efeito do IPCA-15 no mercado foi favorável. “A reação é de queda dos juros futuros, principalmente nos contratos mais curtos e médios, enquanto os investidores avaliam justamente se essa melhora terá continuidade”, diz. “Em resumo, a mensagem é que o IPCA-15 veio muito bom, os núcleos ajudaram, mas agora começa o teste de verdade. Vamos saber se a inflação continuará desacelerando sem a ajuda de efeitos sazonais e temporários.”
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, também acredita que a prévia da inflação deve contribuir com um alívio adicional na curva de juros mais curta. Ele nota que a queda da inflação ocorre simultaneamente a outros fatores positivos, como o recuo do preço do petróleo e com pequenas baixas da cotação do dólar.
No caso do IPCA-15, considera que o destaque foi o item “alimentação no domicílio”, que caiu 0,97%. “É um alívio importante, com itens que fazem parte da mesa do brasileiro, como o feijão carioca que baixou mais de 2%”, afirma.
Risco nos serviços
Matheus Pizzani, economista do PicPay, pondera que a inflação de serviços segue como principal ponto de atenção no curto prazo. “Ela segue com sua elevada resiliência, amparada por um mercado de trabalho dinâmico e renda em expansão, ainda que a taxas inferiores ao que se viu em um passado recente”, afirma.
Pizzani destaca que projeta uma inflação terminal de 4,70% ao final de 2026, desempenho que, somado a outras variáveis, sustenta uma expectativa de uma Selic de 13,50%. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano.
“Todavia, a cauda relacionada aos riscos de alta começa a ganhar cada vez mais importância à medida que se aproxima o final do ano e fica cada vez mais claro o impacto inflacionário relacionado ao El Niño, que deve ser sentido especialmente no preço dos alimentos entre o fim deste ano e início do próximo”, diz. “Isso tem efeitos secundários relevantes e não desprezíveis sobre as expectativas de inflação e a política monetária.”



