Prévia da inflação: IPCA-15 tem primeira queda no ano, com índice de -0,40%
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,24%, ante os 4,52% observados nos 12 meses imediatamente anteriores

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, aponta que os preços de bens e serviços recuaram 0,40% em agosto — em julho, o índice havia sido de 0,06%.
Os preços dos itens de habitação foram os que tiveram a maior redução no mês (-1,41%) e também os com maior impacto no índice. O setor de transportes também pesou negativamente.
Os dados referentes ao IPCA-15 foram divulgados nesta quata-feira (26/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Ver todasNo acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,24%, índice menor do que os 4,52% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a agosto de 2025, quando o índice registrou recuo de 0,14%, houve variação de 0,26 ponto percentual.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO IPCA-15
- O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como prévia do IPCA.
- O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
- A próxima divulgação será no dia 25 de setembro.
Destaques IPCA-15
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período 16 de julho a 14 de agosto de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 17 de junho a 15 de julho de 2026 (base).
Os produtos e serviços que compõem o IPCA-15 são divididos em nove grupos. Dos nove, cinco tiveram recuos que variaram de 0,02% a 1,41%. Os outros quatro apresentaram altas que variaram de 0,04% (artigos de residência) a 0,66% (despesas pessoais).
O grupo com maior impacto na inflação foi o de habitação, com redução de 1,41% de julho para agosto. O peso no IPCA-15 varia de um grupo para outro, ou seja, não é igual. Isso acontece porque o IBGE considera que alguns itens são mais consumidos pelas famílias do que outros.
Neste mês, o maior índice também correspondeu à maior contribuição. A queda de 1,41% em habitação respondeu por 0,22 ponto percentual de todo o índice (-0,40%).
A redução do grupo de habitação foi puxada principalmente pela queda na conta de energia elétrica residencial, que recuou 6,25%. A diminuição foi influenciada pela incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas. O bônus de Itaipu é um crédito repassado aos consumidores e se refere a uma sobra da operação da usina.
A queda na conta de energia foi apurada mesmo diante da vigência da bandeira tarifária amarela, que impõe a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 Kwh consumidos.
O segundo grupo com maior redução foi o de transportes, com queda de 1% e impacto de 0,20 ponto percentual no índice. O que puxou o índice geral para cima foi o aumento nos preços de despesas pessoais, com elevação de 0,66% e impacto de 0,07 ponto percentual no índice.
Alimentação e bebidas
O terceiro grupo com maior queda foi o de alimentação e bebidas: 0,57%, puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que teve retração de 0,97% de julho para agosto.
Os itens que mais contribuíram foram:
- tomate (-27,38%);
- batata-inglesa (-25,14%); e
- cenoura (-17,05%).
Ainda no grupo de alimentação e bebidas, houve altas, casos do leite longa vida (3,41%) e das frutas (3,11%).
Variação de cada grupo em agosto:
- Alimentação e bebidas: -0,57%;
- Habitação: -1,41%;
- Artigos de residência: 0,04%;
- Vestuário: -0,20%;
- Transportes: -1,00%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
- Despesas pessoais: 0,66%;
- Educação: 0,46%;
- Comunicação: -0,02%
Projeções anuais
Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 5,02%.
Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
O governo projeta que a inflação ficará em 5,1%, em 2026, e o Banco Central (BC) considera o índice de 5,2%.



