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Brasil

Governo Lula repudia fala de Flávio em audiência nos EUA: "Traição à pátria"

Governo brasileiro afirma que senador foi o único brasileiro na sessão que se posicionou contrário à imposição do novo tarifaço de 25%

07/07/2026 19:06, atualizado 07/07/2026 19:34
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Marcelo Camargo/Agência Brasil - BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BRENOESAKIFOTO
Lula e Flávio Bolsonaro

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou, nesta terça-feira (7/7), a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discute a proposta do órgão norte-americano de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Na manifestação, assinada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), a gestão Lula afirma que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”. “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz trecho.

Na nota, o governo afirma que Flávio foi o único brasileiro inscrito na sessão que não se posicionou contrário à imposição da taxação, sugerindo que fosse adiada. Para o governo federal, tal atitude teve “claro objetivo eleitoreiro”.

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“Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”, diz o comunicado.

Durante a participação na audiência, realizada na manhã desta terça-feira, Flávio Bolsonaro argumentou que este seria o “pior momento possível” para adoção da medida, sob o argumento de que a taxação poderia beneficiar o presidente às vésperas da eleição. Ele também afirmou que as tarifas já foram “exploradas politicamente” pelo governo brasileiro.

Segundo a nota do Planalto, o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, ao invés de rebater as “alegações infundadas” que baseiam a investigação contra o Brasil.

“O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro. O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes”, continua o posicionamento oficial do governo.

Em seu discurso, o parlamentar também buscou associar Lula a escândalos de corrupção, como o mensalão, escândalo de descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a fraude financeira envolvendo o Banco Master. Na nota, o governo destaque que Flávio “esqueceu de mencionar” o seu próprio envolvimento com Daniel Vorcaro.

“Esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai. Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários”, pontua o comunicado.

A Secom critica também o posicionamento do parlamentar em relação ao Pix. Segundo relatos, Flávio argumentou durante a audiência que o sistema de pagamentos “não é um problema” para os EUA e afirmou que a plataforma foi uma iniciativa da gestão do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que pode “complementar” o sistema de pagamentos norte-americano. Para a investigação do USTR, o Pix é um sistema considerado “desleal” porque causa desvantagem aos norte-americanos.

“Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o Pix. Mesmo assim, propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos”, escreve o governo Lula.

A nota destaca ainda que, enquanto o pré-candidato à Presidência “tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos”, uma equipe brasileira composta por membros do ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC); das Relações Exteriores; da Justiça e Segurança Pública e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR “para desfazer o tarifaço contra o Brasil”.

“O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento”, finaliza o governo federal.