Fraudes no INSS: PF cita postos de combustíveis em esquema de lavagem
Werverton Rocha foi alvo de busca e apreensão da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos de beneficiários do INSS

A Polícia Federal (PF) suspeita que postos de combustíveis foram usados para movimentar recursos em uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro investigada na Operação Sem Desconto, que apura fraudes nos descontos associativos do INSS e teria Weverton Rocha (PDT-MA) como beneficiário.
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve sigilo retirado nesta terça.
De acordo com o documento, os postos de combustíveis Petro São Francisco e Petro São José funcionavam como um dos eixos centrais no esquema de ocultação e dissimulação patrimonial investigado. Administrados operacionalmente por Anna Catarina Viana Rocha sob orientação do Senador , os postos tinham suas contas bancárias utilizadas para transitar valores milionários de origem suspeita.

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Ver todasAs contas recebiam depósitos recorrentes em dinheiro vivo e repasses de empresas como a Qualitech Engenharia, que chegou a transferir R$ 5 milhões em um único dia. Esse dinheiro recebido era imediatamente destinado para a aquisição de propriedades rurais, terrenos e maquinários agrícolas, além de repasses para sociedades como a Rocha Holding e a DJ Agropecuária.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Os demais investigados teriam concorrido, ao menos desde 2023, para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a disponibilidade, a propriedade e a titularidade real de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente, de infrações penais antecedentes, mediante empresas interpostas, contas pessoais e familiares, postos de combustíveis, sociedades patrimoniais, contratos, registros contábeis, numerários em espécie e ativos formalmente dissociados de seu possível beneficiário econômico”, diz a decisão
Sem Desconto
A nova fase da Operação Sem Desconto mira Willer e outras oito pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria como beneficiário o senador Weverton Rocha. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
Entenda a operação da PF
- A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), investiga o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
- A nova fase foi deflagrada a partir de elementos extraídos do celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
- A PF aponta que o senador atuaria como o orientador e beneficiário final de uma rede não linear de lavagem de dinheiro, operada por meio de empresas, postos de combustíveis, contas de parentes e repasses em espécie.
- O advogado e empresário Willer Tomaz é investigado por supostamente ter colocado à disposição do parlamentar um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, com empresas, aviões privados e operadores financeiros e interlocutores políticos à disposição do senador.
- A investigação mapeou que a compra de uma casa de R$ 6 milhões do senador Weverton Rocha no Lago Sul, em Brasília, teria sido paga pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer Tomaz.
- A esposa de Weverton, Samya Rocha, teria recebido repasses que somam R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer, segundo a PF.
- Outro eixo do suposto esquema de lavagem envolve postos de combustíveis que, segundo a PF, foram utilizados para pagar terrenos, maquinários agrícola e adquirir propriedades rurais.
Segundo a Polícia Federal, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas com o uso de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos.
A corporação sustenta que Weverton atuaria como o “responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.
O outro lado:
Em nota, o advogado e empresário Willer Tomaz afirmou que “a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”.



