Sem Desconto: quem são os alvos da operação que mira Weverton Rocha
Advogado Willer Tomaz, mulher e parentes de Weverton Rocha estão entre os alvos da operação da PF desta terça-feira (4/8)

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca contra nove pessoas e dois escritórios de advocacia na nona fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4/8), pela Polícia Federal. Entre os nomes, estão a mulher, a filha, duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz.
A investigação apura um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Quem são os alvos
- Willer Tomaz de Souza — o advogado aparece como articulador da estrutura externa de suporte aos demais envolvidos e notadamente ao beneficiário final dos atos praticados. Pessoas e empresas associadas ao seu nome estariam vinculadas a pagamentos, saldos, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros.
- Willer Tomaz Advogados Associados — escritório de advocacia incluído entre os alvos após aditamento da PF. A investigação busca apurar se a estrutura do escritório foi utilizada para movimentações financeiras relacionadas ao suposto esquema.
- Aragão e Tomaz Advogados Associados — escritório investigado por aparecer, segundo a PF, como possível referência contábil ou canal de pagamentos identificados pela rubrica “AT”, ligada a repasses sob investigação.
- Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha — mulher do senador Weverton Rocha, é suspeita de receber valores pessoalmente por meio da Rocha Holding. A representação aponta que ela era destinatária de repasses expressivos, titular de conta considerada para recebimento de R$ 500 mil e beneficiária de transferência de R$ 250 mil.
- Anna Catarina Viana Rocha — apontada como responsável pelo controle dos postos de combustíveis Petro São Francisco e Petro São José, usados para movimentar recursos. Ela acompanharia saldos, prepararia listas de pagamentos, realizaria transferência, dialogaria com contadores e executaria determinações de Weverton.
- Geyse Rocha Linhares — descrita como administradora informal de interesses patrimoniais do núcleo familiar em questões relacionadas a propriedades rurais, empresas de radiodifusão, documentos, cartórios, certidões, despesas, equipamentos e regularizações.
- Shainess Kellmassen Rocha Marques de Sousa — aparece como possível canal bancário de passagem. A representação registra a transferência de R$ 130 mil em favor de Weverton.
- Daniel de Faria Jerônimo Leite — identificado em episódio específico de possível circulação física de dinheiro.
- Erlânio Furtado Luna Xavier — surge como sócio nos postos de combustíveis, assumindo também o papel de interlocutor em aportes, capital de giro, funcionamento, negociação, manutenção e possível reorganização da rede.
- Fayla Zulmira Menezes — descrita como operadora financeira. A investigação aponta que ela cuidava do controle de saldos, registro de parcelas, execução de pagamentos, remessa de comprovantes, organização de entregas em espécie e interlocução simultânea com Weverton e Willer Tomaz.
- Frederico De Abreu Silva Campos — Incluído na força-tarefa por sua vinculação à Qualitech Engenharia Ltda., apontada como possível fonte intermediária de alimentação financeira.
Nova fase
A nova fase da Operação Sem Desconto mira Willer e outras oito pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria como beneficiário o senador Weverton Rocha. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
Segundo a Polícia Federal, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas com o uso de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA PF aponta que a estrutura de empresas e contatos ligada ao advogado Willer Tomaz funcionaria como um “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição do senador.
A corporação sustenta que Weverton atuaria como o “responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.
O que diz a defesa de Willer
Em nota, o advogado e empresário Willer Tomaz afirmou que “a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”.












