Erundina ganha agenda própria e mais protagonismo na campanha do PSol

Erundina vai à periferia protegida por "erundinamóvel", enquanto Boulos restringe agenda por conta de contaminação de aliada por Covid-19

atualizado 24/11/2020 21:11

Luiza ErundinaFábio Vieira/Especial Metrópoles

São Paulo – Enquanto Guilherme Boulos (PSol) anuncia restrição de agenda, a deputada federal Luiza Erundina (PSol-SP), vice do ativista, ganha mais protagonismo na campanha psolista para a prefeitura de São Paulo.

Boulos diminuiu o ritmo após sua aliada, a deputada federal Sâmia Bomfim, confirmar contaminação por Covid-19. Ela participou de ato de campanha do ativista sem-teto na semana passada.

Erundina, a despeito de seus 85 anos e da pandemia corrente, passou a circular mais em seu “erundinamóvel“, priorizando agenda nos extremos da cidade de São Paulo. Nesta terça-feira, a veterana foi acompanhada pela militância do PSol e do PT em Cidade São Mateus, na zona leste.

No ato, a deputada federal respondeu críticas que ela diz estar recebendo por conta de sua idade. “Conviver com o povo me dá juventude. Velhice não é doença, ser velho não é defeito”, declarou. A candidata tem a missão de “catar votos” da população mais velha e periférica, que tem dado preferência a Bruno Covas (PSDB) nas pesquisas.

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Nem sempre o discurso de Erundina é no estilo paz e amor. Em campanha em Heliópolis, a deputada federal atacou a ex-prefeita Marta Suplicy, a chamando de “traidora do movimento” e acusando a campanha de Bruno Covas de copiar o “erundinamóvel”. Isso porque o PSDB também adaptou um veículo para Marta Suplicy, que tem 75 anos, puxar votos para Bruno Covas na periferia.

Desde a segunda-feira (23/11), ela também tem mirado o vice de Bruno Covas (PSDB), o vereador Ricardo Nunes (MDB), por ser investigado em esquema de superfaturamento de alugueis de creches para a prefeitura e o secretário de Educação, Bruno Caetano, por ter supostamente divulgado áudio em campanha pró-Covas usando estrutura da prefeitura.

Segundo pesquisa Datafolha, 68% dos paulistanos sabem que Luiza Erundina é vice de Guilherme Boulos, e 81% consideram que seu nome foi uma ótima escolha. Em contraste, 92% dos paulistanos não sabem que Ricardo Nunes é o vice de Bruno Covas; 38% consideram regular a escolha de Nunes para o cargo.

O PSol tem usado Erundina não apenas para conquistar votos de parcela de população que não tem preferência por Boulos, mas também para rebater críticas de que o ativista não tem experiência para o cargo. Erundina acumula décadas de vida pública. Mas com a experiência também surgem lembranças críticas.

Erundina terminou seu mandato como prefeita em São Paulo com popularidade em baixa e não conseguiu eleger um sucessor, que seria Eduardo Suplicy (PT), então marido de Marta Suplicy. Erundina governou sem maioria na Câmara, o que lhe rendeu dificuldade para aprovar projetos, realidade que pode também ser compartilhada por Guilherme Boulos, caso seja eleito.

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