Boulos vai à Justiça contra secretário de Covas por suposto abuso de poder

PSol apresentou áudios atribuídos ao secretário de Educação Bruno Caetano e à diretora Mirtes da Silva que distorceriam posição do candidato

atualizado 24/11/2020 18:09

Secretário de Educação de São Paulo Bruno CaetanoDivulgação

São Paulo – A equipe jurídica de Guilherme Boulos e Luiza Erundina (PSol) foi à Justiça Eleitoral pedir para que seja investigada as condutas de Bruno Caetano, secretário municipal de Educação, e Mirtes da Silva, diretora regional de Educação da subprefeitura de São Mateus. Segundo a defesa do PSol, os dois estariam se valendo de seus cargos e dos recursos da Prefeitura de São Paulo para fazer campanha a favor de Bruno Covas (PSDB).

De acordo com publicação de Erundina, “o secretário de Educação e a professora Mirtes da Silva estão fazendo uma campanha difamatória dizendo que um eventual governo nosso vai demitir professores e trabalhadores da rede pública de creches e escolas. Isso é mentira. É um uso indevido e criminoso de cargos públicos e da prefeitura a favor do candidato Bruno Covas”.

A defesa de Guilherme Boulos e Erundina apresentou à Justiça arquivos compartilhados em grupos de WhatsApp em que estão profissionais da educação da cidade de São Paulo.

Em um áudio atribuído a Bruno Caetano, o secretário teria dito que: “Independente da tentativa de mudarem de posição, o estrago tá feito. E justo, porque está escrito no programa de governo do Boulos, está escrito na Folha de São Paulo, no Estadão e tem uma declaração do Boulos falando mal das redes parceiras. Podem espernear, podem falar o que quiserem. Mas está cravada a posição, que é de verdade o que eles pensam. Então, agradecer a todo mundo que está ajudando a espalhar a verdade e combater as fake news. E vamo que vamo. Vamos gerar mais informações positivas para serem reverberadas por todos nós. É o time do bem. Vamo que vamo”.

Secretário de Educação de São Paulo Bruno Caetano
Secretário de Educação de São Paulo, Bruno Caetano, durante coletiva sobre volta às aulas

O secretário se refere às declarações de Boulos sobre revogar gradativamente o modelo de creche conveniada entre Prefeitura de São Paulo e pessoas jurídicas. O modelo vem sendo criticado após denúncias de superfaturamento de aluguéis de creches.

Segundo apuração da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, haveria suposto favorecimento ao vice de Bruno Covas, o vereador Ricardo Nunes (MDB).

Para os advogados de Boulos, as condições em que os áudios circularam denotam “evidente prática de abuso de poder político”. Eles pedem para que a Justiça investigue a situação e considere a cassação da chapa de Bruno Covas.

A Secretaria de Educação não se manifestou sobre o assunto. A campanha de Bruno Covas mandou nota à imprensa. Leia abaixo, na íntegra.

“Acreditamos que tenha batido o desespero na campanha do candidato do PSol, já que ele terá que explicar o inexplicável. O que importa aqui são as propostas para a Educação e o futuro das crianças de São Paulo. Basta ir lá, na página 18 de seu programa de governo e ler com clareza que o candidato quer reverter o processo de convênios na educação. Achamos que ele nem sabe que os convênios em São Paulo existem apenas no ensino infantil para ampliar as vagas em creches. Agora cria uma verdadeira cortina de fumaça, usando a Justiça Eleitoral para espalhar fake news. Quem tem que dar explicações para os cidadãos de São Paulo é o candidato do PSol.”

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